3 de dezembro de 2015

Fim: enfrente e em frente.


A dor não pede compreensão. Ela pede respeito. 
A maioria dos problemas que temos provêm dos nossos relacionamentos e deles vêm também as nossas maiores alegrias. Mas, se algo não der certo, ao menos nos deixará uma importante lição.
Qualquer pessoa pode controlar a dor, menos quem a sente. Há quem não têm coragem de terminar um relacionamento. Que não esclarece que acabou. Que deixa que o outro entenda o que quiser entender. Sai de mansinho, justificando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, não confrontar, afinal, são coisas da vida. Encosta a porta da casa e parte pra outra. 
Mas não é melhor assim! Não pode ser! Não tem como abafar os ruídos do choro, o corpo não é um travesseiro, ele dói com os soluços! O que a alma não resolve, o corpo sofre. Não, não é melhor assim. Precisa ter gritos, disputa, danos. É como beber um remédio horrível e não fazer cara feia. É como engolir seco. É aguentar o desgosto da falta do beijo. Parece idiota repetir Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure" porque a despedida não é lugar pra poesia. Não tem nada de doce nela. Despedidas doem. Lamentam o passado, não entendem os motivos, não aceitam o adeus, oscilam entre consolar e brigar, entre revidar e amparar.
Há quem seja forte pra seduzir mas não pra se distanciar. Para iniciar uma história não receia falar, mas pra encerrar é evasivo, reticente. Não leva seus pertences na hora, deixa a saudade e as lembranças. Talvez um dia volte pra falar, pra buscar suas coisas. Mas no momento do fim, guarda sua risada pra um domingo de tarde, longe dali.... quando tudo que o outro precisa é que  esteja ali. Que não vire as costas. Que  escute. Que se espante com as coisas com o que foi dito, porque o que o outro diz também é verdade, porque a mesma história tem dois lados... Posso parecer exagerada, mas é só uma tradução da dor. Pense numa mãe que perde um filho no parto. O médico vai mostrar-lhe o bebê morto, uma crueldade necessária. Ela precisa entender que ele morreu, que não adianta procurá-lo, que o tempo de espera não foi invenção, que a gravidez aconteceu, que o pequeno existiu, que ela tentou trazê-lo à luz. Ela precisa sentir, enfrentar a dor de ter que se afastar da promessa dos sonhos de uma vida e descobrir a insuportável e delicada verdade de uma memória que teve um fim e não um final feliz... 
Ainda que a dor arrebente com o coração dela, é melhor assim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo!