Os laços de afeto são cruciais. Com afeto florescemos. Sem afeto morremos. Lentamente. Nossa estrutura emocional se firma no amor e no desamor. Quanto mais amados, mais saudáveis. Quanto menos amados, mais agressivos. Recuamos quando nos sentimos rejeitados e quando somos depreciados. É nosso instinto de defesa e sobrevivência. Entramos numa redoma, mas ela é de vidro... Desejamos ser abraçados, acolhidos, cuidados; no mínimo vistos e ouvidos. Necessitamos do contato físico e visual. Qualquer interrupção de vínculos pode gerar uma situação de estresse e transtornos de comportamento, que às vezes se prolongam demais. Precisamos nos relacionar de maneira profunda, necessitamos receber e oferecer um olhar que conforta, precisamos valorizar as emoções, criar expectativas, coisa que requer foco, dedicação, interesse, afeto. E isso é difícil de conseguir se estamos vivendo a síndrome da separação próxima, no pior sentido da expressão, ou seja, "estou aqui, mas não estou com você."... Somos uma espécie dividida, multifacetada, compartimentada. Sofremos o mal dos dias atuais: falta de atenção, isolamento e esfriamento dos afetos. E nunca em outro tempo se falou tanto sobre amor e amizade, nunca se "compartilhou" tanto, nunca fomos "tão felizes", nem nunca "rimos" tanto (até escrevemos o som da nossa risada!) e paradoxalmente não me recordo de outro tempo de maior solidão coletiva. O grande desafio hoje é ser mais interessante que um aparelho eletrônico...
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