24 de outubro de 2014

Um conto e ponto



A vida parece um conto. Cheia de pontos. Às vezes interrogação. Outras vezes exclamação. Algumas vezes, ponto final. Parágrafos para novas histórias. Vírgulas para pequenas paradas. Parêntesis para reflexões. Reticências para continuidade. Cada dia um capítulo diferente. Em cada capítulo, um detalhe, uma surpresa, um suspense, uma dúvida, uma perda, uma alegria, uma tristeza. Várias sensações no mesmo capítulo, deixando enredo para o dia seguinte. E como se vira uma página, tenho então um outro capítulo bem diante dos meus olhos. O livro é o mesmo, mas o capítulo é novo, desconhecido... Quero ler essa vida, como lia avidamente os livros que ganhava do meu pai! Com interesse, mente aberta, coração quente. Que meus olhos brilhem diante de cada fato, que eu sinta o cheiro de página nova e compreenda cada sinal e cada ponto.
A vida parece um conto, mas não é um conto de fadas. Às vezes se descobre que o príncipe é um sapo e que o sapo é um verdadeiro príncipe. E que nem todos os finais são felizes. E às vezes se aprende que a distância não é um lugar e sim um jeito de ser. E que a beleza pode ser feia e a feiura pode ser bonita. Que o distante pode estar mais perto do que se imagina e o estar longe não impede o estar junto. E tudo isso está sutilmente escrito... basta prestar atenção, perceber os detalhes, enxergar o que está por trás das palavras, das imagens, das histórias, dos insucessos, do céu azul, da lua cheia, do por do sol, das estrelas, dos sorrisos e das lágrimas. Entender os contos e aceitar os pontos. Responder às emoções que sentir e ouvir o que a razão disser.
Assim segue a vida ensinando e eu sigo  aprendendo. Ela segue surpreendendo e eu sigo fingindo que não tenho medo... 
Não tenho medo? 
Não tenho medo! 
Não, tenho medo.


Seja bem vindo!