Ja viu uma torneira fechada que não pára de pingar? Sabe quanto se perde de gota em gota? Isso é desperdicio. Em plena escassez de água, uma torneira pingando é um verdadeiro desperdício. Algumas pessoas (e me incluo) são um desperdício. Uma torneira. Das boas. Mas precisa trocar a borrachinha de vedação porque se desgastou com o tempo e a água fica escoando sem utilidade. Numa época em que falta sensibilidade, solidariedade e amor, como pode uma pessoa carinhosa, amiga, bondosa de coração, simplesmente não conseguir sair de si mesma para amar e ser amada?! Desconfia, recua, se arma toda e o que menos faz é defender-se. Antes, é a primeira a apontar as próprias culpas que faz questão de reforçar, como se merecesse carregar todas. Passa o tempo retendo as melhores coisas da sua alma pra ninguém, nem pra si mesma, porque parece que não quer o próprio bem e desperdiça tudo que tem porque lhe falta direção. Pode ser uma análise muita dura, mas é também uma visão madura. Adultos emocionalmente indefesos, que reagem como crianças, estão presos no medo e na insegurança dos seus 10 anos. Mas o tempo é implacável e deixa a gente com um gosto de cabo de guarda chuva na boca, porque não volta, não redime, não apaga, não esquece. Nunca, nunca alguém vai esquecer ou mudar nada do que lhe aconteceu ou deixou de acontecer, mas pode decidir o que vai fazer disso. Não é uma frase, é uma verdade.
Sonhos e planos, posso dizer por experiência, vivem de mudança. Uns não cabem mais, simplesmente. Outros são adaptáveis. Uma coisa, porém, é incontestável: são o que existe de mais pessoal. Acredito que olhar pra eles, bem nos olhos, e ver se são realmente importantes pra gente, é o que determina a nossa ação e o quanto investimos ou desperdiçamos. Ficar esperando pra ver no que vai dar, não dá em outra coisa a não ser em frustração e, em seguida, amargura. E quando isso se instala, fica muito mais dificil levantar e sair andando. Fazer uma lista das coisas que deram errado ou deram certo e das possibilidades que se tem, é uma iniciativa que dá clareza, mas também pouco ou nada define. O que define é a bendita decisão que se toma. Pense bem: você é uma pessoa, tem seu lugar. Não está no mundo ocupando o lugar de outra pessoa. Não há ninguém igual a você, por suas dores, por seu jeito, por suas historias, por sua criação e sua educação, você é único. Se dê uma chance, uma folga! Cada um colhe o que planta. Se você não plantar nada, vai colher da misericórdia alheia. E se plantar semente ruim, vai colher fruto ruim. Tome o seu lugar e chega de pedir desculpa. Chega de ter medo, de ter vergonha, de ser triste. O perdão que você não se dá, também não dá a ninguém e, no final, fica escravo de todos os seus ofensores. E o desperdício está em quem retém a sua essência, que fica escoando e se perdendo no passar dos dias, das semanas, dos meses, dos anos... quando é tão capaz de ser e fazer tudo que verdadeiramente quiser. Eu disse, verdadeiramente.
