O copo caiu no chão e trincou o vidro. Quase joguei fora, mas não era um copo qualquer. Talvez não pudesse utilizá-lo mais como antes, mas não estava de todo perdido. Tinha que descobrir uma outra utilidade para o meu copo, já que não confiaria usá-lo para beber nada quente ou gelado. Só não podia jogá-lo fora... Foi então que pensei em transformar o copo trincado num jarro para flor. E assim fiz. Lavei o copo com cuidado, coloquei água e dentro dele uma rosa vermelha, a última que consegui, porque já andavam escassas as rosas... Deixei-o à vista, enfeitando um canto. Todos os dias trocava a água para manter o viço da rosa. Rosa e copo, tão frágeis... Não perdi o copo e cuidei da rosa, sabendo que não iria durar muito, porque rosas têm vida curta, mas enquanto estiver viçosa vou trocar a água para que não morra e cuidar do copo, para que não quebre.
Algo muito corriqueiro, mas me fez pensar sobre os relacionamentos que temos na vida. São assim, como o copo ou como a rosa. Significantes, porém frágeis. Quando a relação trinca por qualquer razão que seja, pode ser muito difícil voltar a fazer as coisas do jeito de antes. Mas se tem um significado especial, não jogue fora, descubra outros caminhos. Não termine de quebrar. Transforme, faça as mudanças que deve fazer. Assim como com o copo, experimente colocar uma rosa! E quando a rosa murchar, coloque outra, e outra, e mais outra... renovando sempre a água.
Não precisa jogar o copo fora: faça dele um jarro de flor.
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