Percebi que para quase todas as minhas perguntas eu já tenho resposta. Então não tenho mais desculpas. Nada vai mudar enquanto eu não fizer desse questionário uma estratégia, com objetivos e prazos. Até aqui fui conduzida. Pessoas, opiniões, sentimentos e circunstâncias ditaram como eu deveria agir, reagir, pensar, fazer, sentir. Agora não faço mais perguntas: faço alguma coisa.
Quero silenciar o suficiente para ouvir e reconhecer a minha própria voz e a voz de Deus e que outras vozes não me confundam mais. Depois de tanto barulho (e os mais altos são os da minha mente inquieta), entendi o valor do silêncio e como ele pode conter respostas. Entendi que quando minha boca se fecha e as palavras se calam, os pensamentos se ordenam. Alguns se vão, outros se aperfeiçoam, outros se estabelecem. A mente ventila, a alma refresca e o coração retoma seu próprio ritmo. Há momentos que precisamos respeitar para que o amadurecimento se complete e as mudanças possam então acontecer. Então, chega de perguntar. As respostas alheias já sei de cor, mas agora tenho ânsias de parir as minhas próprias.
Vamos, garota, a dor não é tão grande assim! Chega dessas lentes de aumento! Comece já a ver as coisas e as pessoas como são e a aceitá-las. Comece a olhar para dentro de si mesma e ver como você realmente é. Erros não podem ser apagados e alguns não têm conserto. Uns sonhos não cabem mais no presente, alguns podem ser adaptados e outros podem nascer. Que fique o que é real e merece ser cuidado. Chega de entulhar informações, colecionar conhecimentos e tanto pragmatismo. Chega de ajustar sentimentos. A ordem é desapegar. Dentro de você, só o que precisa. Chega de procurar lá fora o que já tem aqui dentro, mais bonito, mais puro, mais seu! No desespero de não se ver corretamente, você cai na cilada de achar que o outro vale mais, quando, na verdade, o valor das pessoas não pode ser medido pelas balanças desiguais e injustas dos nossos achismos. Cada pessoa tem seus motivos para ser como é ou para como está. O valor de alguém não está na sua história, mas no simples fato de ser alguém, assim também o valor de qualquer coisa está no vínculo afetivo que temos com ela, independente do custo! Não existe um padrão de cor, preço, sobrenome, aparência, cultura, beleza, bens ou qualquer outro requisito que determine o justo valor, porque pessoas, momentos e lembranças valem por sua essência! Pode não valer para os outros, mas vale para você. E finalmente, garota, adeus ao apego. O tempo está passando muito rápido e é melhor começar a reparar os detalhes que mais importam, começando dentro de você. Precisa descobrir que dentro do poço tem uma escada pra que você possa subir e sair de lá sozinha, em lugar de esperar que alguém lhe jogue uma corda...
Bom, o Silêncio me disse essas coisas. E eu decidi acreditar.
