O tempo é urgente. Inovações em todos os segmentos. Avanços tecnológicos. Descobertas científicas. Transformações sociais. Pressa. Esfriamento. Ceticismo. Desigualdade. Corrupção. Superficialidade. Coisas boas e coisas ruins caminham lado a lado como duas retas paralelas. Se por um lado é atraente o crescimento tecnológico cada vez mais acessível a todas as camadas sociais, também é lamentável o retrocesso do homem enquanto ser humano. Descobriu-se muita coisa, inventou-se outras tantas, o universo vem sendo explorado, a natureza estudada, centenas de possibilidades se apresentam diariamente, mas o homem não tem habilidade de mergulhar no próprio coração e muito menos de tocar outra alma. Há um isolamento em meio a mais de mil amigos e milhares de seguidores indo para lugar algum. A falsa sensação de que não se está só, associada a outras falsificações: de sentimentos, de personalidade e de realidade. Acredita-se estar compartilhando ganhos, vitórias e sucessos com pessoas que vão se alegrar por isso, quando na verdade o que move a reação alheia é quase sempre a curiosidade, que acaba por despertar uma avalanche de sentimentos doentios que fazem mal a ambos os lados.
Equívocos... muitos amigos, muitas curtidas, muitos comentários, muitas visitas ao perfil, muitos seguidores... nenhuma garantia de afeto, comprometimento e intimidade. Resultado: depressão, ansiedade, transtornos diversos, vazio, insatisfação, inveja, dependência emocional. Nunca o homem se pensou tão livre, sendo tão escravizado por suas próprias invenções! Se ganhamos com os avanços, também perdemos. E a maior perda é quando nos perdemos e não mais nos encontramos ou não nos reconhecemos; quando perdemos a habilidade de uma conversa intrapessoal e nos sentimos estranhos e inadequados; quando nos distanciamos de nós mesmos e das pessoas; quando nossos sentimento se tornam frios, frágeis e mesquinhos; quando nosso caráter se torna duvidoso e nossas palavras não são dignas de crédito.
Não estamos livres disso, desse mal. Ninguém está. Se não acontece conosco, acontece com alguém próximo e nos afeta. É o mal do século. Podemos minimizar mas não extirpar. Podemos escolher olhar nos olhos, falar, tocar, ser autênticos, ser humanos, respeitar as pessoas e os sentimentos delas, romper o véu da aparência e chegar onde poucos conseguem: na alma, na essência.
É o único jeito de evitar que alguém, que outrora conhecemos bem, se torne um estranho. E mais, é o único jeito de evitar que o pior estranho seja aquele que nos olha no espelho.
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