11 de fevereiro de 2014

Sobre Chocolate Derretido e Amor Feliz



Se é para traduzir uma sensação boa, a ideia que me vem à mente é colocar um bombom inteiro na boca ou comer um chocolate e lamber os dedos. Pode não ser educado, mas é uma delícia! Alguém poderia dizer que isso pode ser feito em casa, não em público... Mas tenho aprendido algumas coisas sobre a privação de boas recordações a troco de certos formalismos. Não só deixar o chocolate derreter nos dedos, ou comer um bombom de uma só vez, mas também chupar manga e lambuzar o rosto, as mãos e os braços, ou chupar a laranja e comer o bagaço, chupar cana fazendo barulho, beber o caldo da sopa na borda do prato... enfim, um monte de coisas que exigimos do outro que não faça... seja esse outro um filho, um cônjuge ou quem quer que seja. Venho entendendo que a razão de exigirmos que o outro se torne ou faça o que queremos, geralmente tem a ver com a opinião dos outros a nosso respeito! Porque, o que vão pensar de nós se um filho se lambuza todo, ou se faz lambança à mesa, ou se ri e fala alto? O que vão pensar de nós se nos deixamos ser tratados dessa ou daquela maneira, sem reagirmos? Não são poucas as vezes que exigimos demais das pessoas que amamos por causa de pessoas que não nos amam. Lhes imputamos vergonha, tristeza ou raiva a fim de "preservarmos" a opinião pública. Embaçamos o brilho dos seus olhos e confiscamos a naturalidade de suas expressões, para garantir a boa impressão perante os outros. E aos poucos nos tornamos mutuamente estranhos, calados e melindrosos. A vida que deveria ser alegre e convidativa, fica tão sem graça quanto nós mesmos, nesse cansativo jogo de imagem.
Estamos quase sempre querendo mudar o outro, quando nós mesmos precisamos de mudança e nos tornamos reféns de um complexo sistema de cobranças e críticas. Somos capazes de palavras que ferem e de atitudes que inibem, mas ainda assim, amamos. A qualidade do sentimento está em aceitar e amar o que é, e não o que deveria ser ou o que gostaríamos que fosse. Esse tipo de amor abre espaço para o outro, mesmo que ele ainda não seja o que poderia ser ou apesar de ser como é.  Justamente por ser aceito em sua condição atual, há grande possibilidade de que  venha a ser aquilo que desejamos que seja! Na diversão ou nas horas difíceis, a base do amor é respeito e aceitação.
O amor definha em meio à dureza, mas se fortalece quando há compreensão. Sucumbe às críticas severas, mas renasce de palavras e gestos amáveis. O amor registra os momentos felizes para que sejam lembrados nos dias tristes e suscitem risadas e boas conversas! Enfim, o amor não cobra. Ele comemora os dedos lambuzados e o sorriso no rosto...

Seja bem vindo!