
"Ser adulto é fazer escolhas. É saber que há um lado ruim ou difícil em cada escolha. Às vezes a gente quer tirar as coisas ruins do pacote escolhido, mas não é possível. Ser adulto é aceitar isso."
Bem, este é apenas um trecho de uma conversa muito proveitosa, daquelas pequenas e rápidas, mas repletas de sentido. E não precisa ser da terceira idade para apreender determinadas verdades; às vezes (muitas vezes) basta ter sofrido. Ou então basta olhar ao redor e reter um pouco da experiência de alguém.
Fato é que a vida é urgente. Não dá tempo dese preparar antes para viver depois e, diante da velocidade do tempo, somos provados antes mesmo de aprender a lição e, na maioria das vezes, nem sequer somos avisados. Se alguém pudesse nos ensinar... ou se existisse uma fórmula... ou se ao menos pudéssemos prever... será que faríamos diferente? Talvez. Mas não há como andar para trás. Não há como retroceder para consertar. Não há como anular escolhas feitas e muito menos decidir outras consequências. A única opção é o enfrentamento corajoso da realidade. Nossos genitores contribuíram como lhes foi possível. Nos doaram seu vigor e seus conhecimentos. Eles não sabiam tudo, mas não tinham outra escolha, a não ser lutarem por nós. Da mesma forma nós contribuímos com nossos filhos e também temos falhas e deficiências. Algumas delas só saberemos daqui a alguns anos, quando nossos filhos forem adultos... Uma geração conduz a outra, contribuindo como pode. "E assim caminha a humanidade." Caminhamos todos nós, fazendo escolhas diariamente, colhendo o que plantamos. Para cada escolha, um destino. Para cada escolha, uma renúncia. Alegrias, realizações e ganhos estão no pacote das escolhas que fazemos. Privações, frustrações e dificuldades também. Ninguém pode apontar na vida real uma coisa que seja somente boa em sua totalidade. Não existe. De tudo que fazemos ou temos, sempre há aquela parte que não nos agrada. Negar isso é infantil. E foi nesse ponto da conversa que entendi claramente que a maturidade não consiste na estabilidade das emoções, mas na aceitação proativa das realidades. Posso me sentir ora serena, ora inquieta, posso sentir minhas entranhas se revolverem de entusiasmo ou de ira, posso ser passional e intensa ou comedida e discreta. Eu posso ser como me sentir e dessa "instabilidade emocional" posso fazer surgir o combustível necessário para minhas decisões, escolhas e atitudes! Posso separar o que é bom e identificar o que é mau, ajustando os níveis de satisfação e hostilidade dentro de mim, para que a realidade não seja causadora de distúrbio, desordem e desencanto! Isso é maturidade.
Pode-se alcançá-la em qualquer tempo pela via da experiência ou pela via da inteligência. Seja lá como for, o adulto entende que não pode reescrever sua historia recomeçando do zero...reconhece que já está velho para viver de riscos, mas sente que ainda é jovem para enterrar seus sonhos...sabe que pode mudar estratégias para prosseguir seu caminho sendo mais feliz. E para conseguir isso, nada melhor do que dar uma chance àquela vontade antiga, guardada, quase esquecida, de fazer algo que gosta, de falar o que pensa, de expressar o que sente, e assim pintar de outros tons a realidade da criança que cresceu e se tornou esse adulto que pensa e repensa a própria vida.
Então, sem alarde, sem drama, mas com a resiliente aceitação de que fez o que pôde, enquanto pôde e como pôde, o adulto vê que ainda há tempo... e escolhe fazer.
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