4 de fevereiro de 2014

A Questão é Essa



Uma verdade logo de cara: a nossa maior necessidade não é traçar metas e alcançar objetivos, mas encontrar significado e sentido na vida. Sem isso, tudo será pouco.
Ter metas é muito bom, entendendo que meta, segundo Aurélio, é "alvo, mira, marco, ponto final de uma prova". É saber aonde se quer chegar. 
Mas melhor do que saber o que quer é quando se sabe por que quer. Isso é objetivo. Então a pessoa é capaz de explicar os sacrifícios que fez ou faz, e ainda tem satisfação enquanto busca alcançar suas metas. Ninguém é feliz porque descobriu a receita da felicidade, mas quando encontra sentido para sua vida. A questão é saber o que é que dá sentido à nossa vida. A resposta não vai estar nas coisas que alguém possui, mas nas que são intocáveis e inegociáveis, como liberdade, amizade, amor, família, alegria, realização pessoal e outros bens imateriais de valor incalculável. 
A via oposta ao significado é a tristeza, a angústia. E nenhuma tristeza circunstancial é maior do que a existencial, aquela proveniente da escravização da vontade, do cativeiro das emoções trancafiadas e do labirinto mental onde os pensamentos se perdem e se confundem. A profunda falta de motivação acarretada por essa tristeza e a sensação de que nada mais faz sentido, são forças contrárias, a meu ver, quase invencíveis! O segredo é não nos aproximarmos desse estado. Sair o quanto antes desse lugar falto de significado. Que dificil!....
Viver por metas, como um fim em si mesmas, numa ansiosa busca por compensação, não satisfaz. Tão logo as alcançamos, traçamos novas metas. Sofremos se não conseguimos e nos entediamos quando se realizam. Vivemos acumulando conquistas. 
Viver por objetivos mas sem metas definidas, também não satisfaz. Não chegamos a lugar nenhum. Sonhamos e pouco ou nada alcançamos porque não traçamos os meios para conquistar. Vivemos de ilusão alternada com frustração. Em ambos os casos, somos como que corpos vestidos, andando por aí cheios de tarefas, responsabilidades e desejos, vazios de sentido e significado... E o que seria o significado? Seria o porquê de trabalhar até tarde, de ter mais de um emprego, de deixar o emprego, de dedicar-se a algo; seria ter a resposta para perguntas cada vez mais comuns,  tipo, por que não deu certo?, por que foi embora?, por que não quer?, por que quer?, por que fez?, por que?.... Obter respostas sinceras para questões existenciais, é dar à vida e a si mesmo a importância e o valor devido. A vida é irrepetível e cada pessoa é única. Quem sabe além das metas, o porquê e o para quê delas, vive em paz consigo mesmo, tem mais equilíbrio, está mais alinhado com Deus, e reflete isso em todas as suas relações. De um espírito manso e controlado, de um coração bondoso e de uma mente sã e sem amarras, emana significado para tudo na vida. Sem uma dessas coisas ficamos mancos. E não há deficiência mais aniquilante do que ter a alma ferida e o coração partido. Uma pessoa nesse estado se torna incapaz de encontrar contentamento, perde o seu ponto de equilíbrio. E quem está imune a isso?! Até mesmo a mais equilibrada das pessoas pode desalinhar-se a ponto de não conseguir concretizar os momentos que vive, nem torná-los significativos, compreendidos e vivenciados. É uma grande perda para si mesma e para os outros que com ela dividiriam esses momentos.
A vida é feita de momentos que se consolidam. É como ciclos que se completam, plenos de sentido, com questões respondidas e resolvidas. Metas alcançadas e objetivos claros se estabelecem pelo ajuste dos momentos, das fases e etapas vencidas na vida da gente. Se não encontramos significado, ou se por alguma razão o perdemos, fica tudo pela metade... Traçamos metas e objetivos com o cérebro e buscamos significado com o coração. É assim que coisas e pessoas deixam de ser compromissos e nomes na nossa agenda e passam a ocupar um lugar na nossa vida.  Resumindo, não se trata tanto do que a gente faz, mas de como a gente faz o que faz. Entende?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo!