27 de dezembro de 2013

Altos e Baixos


O salmista, em sua tristeza, disse que sentia como se ondas houvessem passado por cima dele. Em outro momento disse que se tivesse asas voaria para a montanha mais alta, onde pudesse ficar sozinho. Expressou-se, ainda sobre a dor de sua alma, dizendo que seus ossos doíam e que havia envelhecido de tão cansado. Fez vários talk self perguntando à sua alma por que estava abatida. Murmurou contra amigos, sentiu-se enganado, desamparado e perseguido...
Mas também escreveu e declarou palavras de encorajamento e confiança. Convidou as pessoas a verem as coisas boas que Deus faz. Compôs músicas. Escreveu poesias. Venceu batalhas. Derrotou um gigante e muitos exércitos. Dançou de alegria. Enfim, teve altos e baixos ao longo da sua vida.
Consideremos, então, que as oscilações de humor, as tristezas da alma e o abatimento do estado de ânimo são coisas muito, muito antigas. Consideremos também que lutadores, líderes, artistas e pessoas comuns, ainda que diferentes em seu ritmo de vida, objetivos e princípios, são idênticos em suas necessidades emocionais. Todos experimentam inseguranças, todos têm conflitos e dilemas, todos têm medo, todos têm sonhos, desilusões e arrependimentos. Todos, em dados momentos, querem ficar sozinhos, pensam em desistir, cometem erros. Todos nós. Se tão somente assumirmos essas debilidades, teremos mais condições de crescer como indivíduos e mais chances de aprender. Mas a verdade é que tentamos esconder nossas fraquezas até de nós mesmos... e se não as encaramos, como superá-las? É muito mais fácil enxergar e apontar o erro alheio. É mais fácil fazer um levantamento da vida do outro do que reconhecer os próprios pecados. É mais fácil culpar alguém do que assumir a própria responsabilidade. É mais fácil acusar o outro do que avaliar os próprios atos. S!e começarmos a pensar que limitações e dificuldades se estendem a todas as pessoas e que não são "privilégios" só nossos, é bem capaz de conseguirmos ser mais benevolentes, inclusive com a gente mesmo! A vida é feita de ciclos e por isso ora estamos no alto, ora estamos no baixo; outras vezes de pé, algumas vezes no chão. A partir do momento em que entendemos essa realidade, começamos a ser mais autênticos e passamos a olhar o outro não só com mais compaixão, mas também com mais pureza. Descobrimos que aqueles que ficam com a gente durante os baixos mais severos da nossa vida, são quem precisamos manter ao nosso lado. Esses são quem nos ama por quem somos e não por como estamos ou pelo que temos ou fazemos. São esses que nos ajudam a levantar quando caímos e a não desistir. E ainda vão nos esperar do outro lado da travessia...
É fácil amar uma pessoa boa, é fácil amar quando as coisas vão bem. Mas quando não somos amáveis ou não estamos num bom momento e ainda assim somos aceitos, amados e bem tratados, então possuímos os verdadeiros tesouros desta vida. O corpo pode ostentar jóias, mas amor e amizade são as verdadeiras riquezas que alguém pode possuir. E a alma sabe disso muito bem.

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