Não adianta insistir. Já deu.
E não insistir não significa desistir, mas apenas aceitar a impossibilidade do agora. Renunciar. Abrir mão. Ainda que siga sonhando, esperando. Às vezes é necessário fazer uma pausa, parar. Deixar descansar, deixar decantar. Reconhecer o tempo, a necessidade, medir os esforços, conter, apaziguar o ânimo, arrefecer a vontade. A delicadeza do não insistir está cheia de sabedoria. Perde-se agora pra ganhar depois. E nesse tempo, o persistente coração guarda o seu desejo por dias, meses, até anos, enquanto o pensamento tece os sonhos, traça os caminhos e veste a alma de verde.
Persistência e resiliência são apenas palavras bonitas, até que tenham um sentido. É suportar o peso de quando as coisas não são exatamente como gostaríamos que fossem e ostentar isso veementemente, até entender que é mais sábio não insistir. Então recolher os pertences, silenciar as palavras, guardar os sentimentos, adormecer as ideias e retirar-se... descansar um pouco, recobrar as forças porque a vida é eterna. E enquanto isso, rever os conceitos, consertar os erros, repensar os atos e robustecer. Pode ser que nesse meio tempo a gente desista mesmo. Mas pode ser que não.
Tomara que não.

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