25 de setembro de 2013

Depois do Frio, as Flores...


Às vezes faz mais frio do lado de dentro do que do lado de fora. Do lado de fora alguém pode se agasalhar, mas por dentro, como é que alguém se aquece? Se lhe faltam abraços de alma, palavras de calma, respostas seguras e lampejos de ternura, como é que alguém se aquece?! Como é que se aquece quando lhe sobram perguntas e dores, castelos inacabados, sonhos interrompidos e saudades cruéis?! É fácil vestir um casaco, enrolar-se num cobertor e proteger-se do frio. Mas não é fácil vestir a camisa de uma ideia, desenrolar um sonho e proteger-se da frieza, a própria e a alheia.
E é aí, no choque das correntes, no impasse das temperaturas, que se faz necessário encontrar um refúgio. Construir ou reedificar algo que nos proteja contra a forte correnteza dos sentimentos, contra a torrente impetuosa das palavras, contra o vendaval indulgente das necessidades e contra o furacão avassalador das vontades. E pensar que essa tempestade toda acontece do lado de dentro...
Como é então que alguém se protege, quando de si mesmo não pode esconder-se? Tenho encontrado algumas respostas para esta indagação. Algumas já conferidas, outras em experiência.
Primeiro, é preciso identificar os próprios medos; nomeá-los um a um. Se são adquiridos, é possível desfazer-se deles. Em seguida, é preciso reconhecer os próprios limites, respeitá-los ou expandi-los. Uma mente expandida jamais volta ao tamanho anterior. Em decorrência, dizer "não" a tudo que seja necessário. Não dá para tornar-se presa do "sim". Um "não" dito a tempo, é altamente libertador. É possível evitar muito stress e problema com o uso desse monossílabo... Ainda que doa dizer ou ouvir, protege sobremaneira a alma e seus tesouros. E ainda há uma maneira, talvez a mais difícil, mas, sem dúvida, ilimitadamente benéfica: enfrentar-se. Enfrentar-me. Porque o meu maior oponente não está do lado de fora. Não é o outro que me rouba as oportunidades; sou eu que não as agarro. Não é o outro que toma a minha vez; sou eu que não lhe imponho os limites. Não é o outro que me leva ao erro; sou eu que consinto. Não é o outro que me desvaloriza; sou eu que não me respeito. E por aí vai... Ninguém pode me causar tantos danos quanto a minha própria mente. Você pode até não concordar comigo, mas tenho visto que pensar assim me torna mais responsável pela minha vida, mais autora da minha história. E, caso o outro se revele um mau amigo, basta que eu lance mão do "não", afinal, é uma pequena palavra a serviço da autonomia.
Com tudo isso e algumas reflexões a mais, tenho aprendido a tecer um casaco bem quentinho pra acolher a minha alma em dias frios. Eu mesma me visto. Me protejo. Nas minhas próprias tempestades enfrento as chuvas e os ventos. Eu e Deus comigo. E a minha força de vontade.
O importante é não ser escravo da lei do menor esforço. A gente tem que aprender a não se conformar, a se reconstruir e a não se fragilizar. Quem quer proteger-se a si mesmo e superar-se, deve deixar de passivo e se tornar o agente principal da sua própria superação. Conversar consigo mesmo, entender-se, não ter medo de se enxergar. E, enxergando-se, reconhecer os próprios erros, sem tanto punir-se, sem tanto diminuir-se... 
Existe sabedoria no eterno movimento da Terra: a noite nos serve de descanso para recomeçar no dia seguinte e as estações preparam a natureza para as mudanças e os renovos. Aprendo que nada é tão permanente quanto a necessidade de superar as dificuldades. Nada é mais difícil do que superar-se. E nada é mais urgente. Uma questão de sobreviver às estações mais rigorosas e contemplar as flores.

Seja bem vindo!