29 de abril de 2013

Pessoas e Rios

Não importa quão distante seja a nascente, nem o tipo de leito por onde correm, nem a extensão e a largura dos rios; eles sempre correm para o mar. A origem e as características diferem, mas o destino dos rios é o mar. Correm no leito, cada um do seu jeito, cada um com a sua força, sua história. Correm sozinhos, suas correntes não precisam de ajuda. São velozes em alguns trechos e mais calmos em outros. Um rio não sabe parar. Não recua. Pedras e outros obstáculos tentam barrar as águas, formar diques, mas ele sabe contornar. E parece que quanto mais pedras, mais límpidas e claras são suas águas...  Ao longo da corredeira, muitas quedas d'água podem surgir, mas um rio segue destemido no seu ritmo e, quando aparece a cachoeira, simplesmente segue o curso, enfrentando a queda. Paisagens com rios geralmente são acompanhadas de muito verde,  mato, grama e árvores. Tudo cresce às margens dele. Por onde suas águas passam, existe provisão. Um rio produz pra si mesmo e pra quem dele precisar. Abraça outros afluentes no transcurso do seu leito e tornam-se um. Quando encontram o mar, então já não se distinguem: tudo é água, tudo é oceano.
Mas muitas interferências acontecem, naturalmente ou não, e acabam por alterar as características de um rio... Pode ser que um rio se disperse por entre as planícies, pântanos e brejos. Pode ser que queiram canalizar um rio e assim ele não sirva mais como antes, nem pra transportar, nem pra alimentar, nem mesmo pra ser admirado. Pode ser que seja represado e suas águas fiquem frias. Pode ser que poluam um rio com lixo de todo tipo e suas águas percam o ph, fiquem turvas, e, assim, não fertilizem as árvores marginais, nem lhes garantam vida. Pode até ser que um rio evapore por falta de chuva e aos poucos vá secando sob o sol.
Pessoas e rios têm muito em comum. São tão singulares e únicas quanto os rios em suas características.  Não importa a sua origem, condição social, etnia ou cor da pele, todas as pessoas têm o dever de contribuir com a sociedade, de preservar bons costumes, de cuidar do ambiente e zelar pela integridade como um todo. Todas têm o direito de ir e vir, de escolher, de pensar, de se expressar. Têm direito a morar dignamente, a estudar, a trabalhar. Têm direito ao amor e à felicidade. Mas assim como alguns deveres são negligenciados, alguns direitos também o são...
Pessoas também sofrem várias interferências que podem modificar seu comportamento, seus hábitos e até sua maneira de ser. Tais interferências podem acontecer por descuido, imprudência, por escolha ou permissão e ainda por fatores externos, alheios à vontade própria. A essas interferências vou me referir como pedras que se interpõem no caminho para dificultar o nosso avanço. Podemos contorná-las ou tropeçamos nelas. Se as contornamos, evitamos alguns males, mas todo mundo sabe que quem tropeça nalguma pedra geralmente dá dois passos pra frente... apesar da dor. Se nos deixamos represar, se permitimos que anulem nossas iniciativas e aceitamos tudo que seja contrário à nossa opinião e vontade, perdemos e anulamos muito de nossa capacidade.
Quando não filtramos nossos próprios pensamentos e não rejeitamos palavras negativas que lançam sobre nós, nos tornamos como que recipientes de lixo. Nossa autoestima fica embaçada, perdemos a sensibilidade e a percepção das coisas à nossa volta e ainda temos o discernimento e o bom senso afetados. Quando somos rejeitados, quando não nos sentimos amados e nem felizes, a nossa alma definha e seca. Também não conseguimos amar, aceitar os outros e muito menos ser a voz do acordo e do bom ânimo. Contaminamos o ambiente com a amargura que cresceu no coração.
Mas se apesar de todas as interferências vamos em frente e olhamos para as possibilidades que estão adiante de nós, se não recuamos, se enfrentamos as situações, o medo e as limitações, tudo se expande aos nossos olhos. Nos tornamos mais fortes e corajosos, mais capazes e mais produtivos.
Tal como um rio, nossa direção é encontrar o mar, a todo custo. As correntes são empurradas pela força da sua própria natureza, sua própria essência, porque todo rio é mar, só que com outro nome... é só tornar-se.

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