19 de abril de 2013

O Casulo


Uma lagarta feia se transforma em uma linda borboleta. Mágica? Diria que uma reciclagem. A gente vê um casulo e nem imagina como foi que tudo começou... não imagina que a feia lagarta já foi uma exuberante borboleta, que voltará a ser lagarta e repetirá incontáveis vezes o mesmo ciclo...
Motivada por uma conversa com minha irmã esta tarde, senti vontade de saber um pouco mais sobre essa transformação e aprendi algumas coisas magnifícas e quase inacreditáveis...
Uma adulta e faceira borboleta em seu vôo, escolhe uma planta antes de acasalar.  Na parte inferior de suas folhas ela despeja os seus ovos aos montes. Depois de dez dias nascem as lagartas e já começam a comer as folhas da planta que as abrigara... são pequeninas comedoras vorazes que passam a sua vida comendo. Bem, o único trabalho da lagarta é comer, comer, comer e reservar, reservar, reservar. Quando já reservou o suficiente, a lagarta pára de comer e procura um lugar protegido para ficar. Ali, quietinha, ela não come mais e se move muito pouco. Entra no estágio de pupa. Em volta do próprio corpo ela tece uma proteção, que é o casulo. Lá dentro, isolada, escondida, a lagarta tem seu corpo atacado pelo mesmo ácido usado pra digerir as folhas que comeu, sendo lentamente destruído de dentro pra fora, ainda que algumas células se mantenham para caracterizar o novo ser que em breve estará formado. Destruir para reconstruir, sem interrupção, num silêncio absoluto, um novo coração, um novo sistema, o novo corpo da futura borboleta. Dentro de aproximadamente quinze dias, o casulo começa a se romper até que a nova criatura apareça. Seu corpo pulsa enquanto bombeia os fluidos que estavam armazenados no casulo para as asas, ainda pequenas e molhadas. Alguns poucos dias mais e as asas já estarão secas e crescidas e a borboleta poderá, enfim, desprender-se do casulo e voar. Recomeça, então, o incrível ciclo da vida!
Muito sugestivo esse processo de transformação da borboleta em lagarta e novamente em borboleta...
Às vezes somos borboletas prestes a nos tornarmos lagartas. Perdemos as asas que nos levavam tão longe, que nos faziam sobrevoar, que nos conferiam graça, cor e movimento...  Então nos enclausuramos! Levamos um tempo fechados, silenciosos, escondidos; desenvolvemos autoproteção, autodefesa; destruímos partes do que somos, para que outras partes possam emergir; lentamente vamos reconstruindo um novo sistema, formando novos conceitos a partir de velhos princípios. Então mudamos de dentro pra fora até que a transformação seja visível. No tempo certo, saímos do nosso casulo. É de dentro pra fora que a mudança acontece. Se alguém tentar romper o casulo na intenção de ajudar a borboleta a sair, por pensar que ela não tem força suficiente, vai ter a decepção de não vê-la dar o primeiro vôo: as asas pequenas, fracas e molhadas não estarão prontas ainda. Há um tempo certo para todas as coisas. Cada coisa tem o seu tempo e o seu ritmo, e isso deve ser resguardado.
Assim que, se ainda estamos refugiados, anônimos, quase que despercebidos, devemos esperar o tempo do silêncio, o luto das partes mortas, a dor da perda e da mutilação. Esperar, enquanto tudo coopera para o ressurgimento de um novo ser, surpreendente. Logo, logo as asas crescerão e ficarão fortes o bastante para um primeiro vôo, depois de tanto rastejar...
Lagartas parecem iguais, mas borboletas são sempre fascinantes! Nunca se sabe que cores terão depois do confinamento... mas é sabido que sobrevoarão jardins, alegrarão o céu à altura dos olhares, polinizarão flores e pousarão novamente para recomeçar o ciclo. A vida é assim. Essa metamorfose constante. Ainda bem.

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