Há alguns dias levei meu filho ao curso e tratei de estacionar o carro enquanto o aguardava. Cuidadosamente fui tentando colocar o carro na vaga. Um senhor em pé na calçada me observava, certamente achando que eu não conseguiria. Confesso que estava difícil mesmo, mas eu não podia desistir. E não desisti. Depois de algum tempo, algumas tentativas e uns poucos arranhões, coloquei o carro na vaga apertada, sem saber como conseguiria sair, torcendo pra que o motorista da frente saísse primeiro. Quem estava de fora via muito melhor que era uma vaga relativamente pequena para o tamanho do meu carro. Não é que não o coubesse, só não era a mais adequada. Seria muito mais fácil se eu saísse dali e estacionasse um pouco mais adiante, mas acabei querendo provar a mim mesma que era capaz. Talvez por causa das pessoas que estavam olhando, talvez por teimosia, talvez por autoafirmação. Sei que, àquela altura, admitir que tinha feito uma péssima escolha ou que tinha errado os cálculos, de repente me pareceu a última opção. Fiquei estressada, suada, nervosa e irritada, sem necessidade. Poderia ter me poupado disso, se não tivesse sido tão vaidosa. Mas como nada é desperdiçado, essa experiência me rendeu uma reflexão.
Admitir fracassos é difícil. Assumir culpa é difícil. Reconhecer erros é difícil. Aceitar perdas é difícil. Somos tão cobrados, tão competitivos, tão observados, que às vezes temos a falsa sensação de que recuar é covardia. Falsos conceitos nos fragilizam e a nossa mente, embotada, não pensa corretamente. Contrariamos as decisões acertadas por outras que vão requerer muito mais de nós, que vão se desdobrar em consequências. Dizer "não", tentar outro caminho, abrir mão, desistir, trocar, mudar, pode, a princípio, ser desconfortável, mas com certeza nos trará legitimidade, autonomia e autoconhecimento. Às vezes insistimos em sonhos que não cabem, em projetos inviáveis, em pessoas que não dão retorno, em atitudes que não levam a nada, e não vemos outros sonhos que podemos gerar, não viabilizamos novas possibilidades, não investimos nas pessoas certas, não inovamos. Parece que nos falta coragem. Fazemos um esforço danado pra que o passado caiba no presente, pra manter situações, pra preservar aparências, pra controlar... é muita energia desperdiçada ou mal empregada. Mas admitir isso exige uma dose extra de maturidade e equilíbrio. Exige uma revisão de prioridades. E exige também um levantamento honesto das próprias capacidades e limitações.
Podemos estacionar a qualquer momento pra refletir e tomar decisões. E a melhor decisão será sempre aquela que for melhor pra nós. Ou trocamos o modelo do carro. Ou encontramos uma vaga melhor. Ou passamos pro banco do carona. Termino esta conversa parafraseando o espírito da frase de Fernando Pessoa: 'estacionar' é preciso; viver não é preciso.
Admitir fracassos é difícil. Assumir culpa é difícil. Reconhecer erros é difícil. Aceitar perdas é difícil. Somos tão cobrados, tão competitivos, tão observados, que às vezes temos a falsa sensação de que recuar é covardia. Falsos conceitos nos fragilizam e a nossa mente, embotada, não pensa corretamente. Contrariamos as decisões acertadas por outras que vão requerer muito mais de nós, que vão se desdobrar em consequências. Dizer "não", tentar outro caminho, abrir mão, desistir, trocar, mudar, pode, a princípio, ser desconfortável, mas com certeza nos trará legitimidade, autonomia e autoconhecimento. Às vezes insistimos em sonhos que não cabem, em projetos inviáveis, em pessoas que não dão retorno, em atitudes que não levam a nada, e não vemos outros sonhos que podemos gerar, não viabilizamos novas possibilidades, não investimos nas pessoas certas, não inovamos. Parece que nos falta coragem. Fazemos um esforço danado pra que o passado caiba no presente, pra manter situações, pra preservar aparências, pra controlar... é muita energia desperdiçada ou mal empregada. Mas admitir isso exige uma dose extra de maturidade e equilíbrio. Exige uma revisão de prioridades. E exige também um levantamento honesto das próprias capacidades e limitações.
Podemos estacionar a qualquer momento pra refletir e tomar decisões. E a melhor decisão será sempre aquela que for melhor pra nós. Ou trocamos o modelo do carro. Ou encontramos uma vaga melhor. Ou passamos pro banco do carona. Termino esta conversa parafraseando o espírito da frase de Fernando Pessoa: 'estacionar' é preciso; viver não é preciso.

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