6 de abril de 2013

Existo. Penso. Escolho.

Jean-Paul Sartre foi um filósofo que discutiu as questões fundamentais da existência do homem. A filosofia existencialista de Sartre reflete um pensamento que destaca a liberdade, a responsabilidade e a individualidade do ser humano. Segundo Sartre, apesar de sermos produto do tempo e do ambiente ao qual pertencemos, cada um de nós tem a capacidade de fazer escolhas diante das possibilidades de uma determinada situação. É dele uma frase que ouvi esta semana, que motivou as minhas idéias pra esta conversa: " A liberdade do homem consiste em escolher a sua própria escravidão." Esta frase reafirma o livre arbítrio e me aponta outro pensamento: que somos sempre reféns de alguma coisa. As escolhas que fazemos determinam a nossa vida, mas como somos potencialmente livres pra escolher, também podemos mudar as escolhas que fizemos e, consequentemente, mudar também a vida que levamos. Ou seja, o que nos torna diferentes uns dos outros vai muito além das características físicas e aparentes. São as decisões que tomamos, as atitude de cada um frente à vida.
Somos livres para ser o que escolhermos ser e até mesmo quando recusamos escolher já estamos escolhendo. Nossos valores são construídos a partir das escolhas que fazemos e isso explica porque mudamos tanto durante a vida. O que tentamos explicar por "fases", é tão somente a condição permanente de mudança e crescimento a que estamos submetidos diariamente. Aprendi que quando culpamos fatores externos (Deus, temperamento, inconsciente, traumas e outras deficiências pessoais) pelas escolhas que fazemos, estamos agindo de má fé e nos afastando de um grande projeto pessoal. Aprendi também que o nome do que devemos sentir é responsabilidade e não culpa.
Escolhemos conforme a visão que temos de nós mesmos e de tudo o mais a partir de nós. É isso que nos diferencia e nos referencia perante os outros. Há quem não se enxerga, quem se vê superior ou inferior. São visões distorcidas da autoimagem. Uma pessoa pode ver-se de vários modos ao longo de sua vida, ao que ela chama de "fase", até que chegue à visão correta de si mesma. Nesse longo caminho de descobertas a gente vai fazendo escolhas, condicionados por limitações da sociedade e suas regras, mas isso não diminui a condição de liberdade nem o livre arbítrio, porque a gente nunca pode fugir dessa essência. Quando abrimos mão de alguma coisa, seja por causa das regras, dos valores, das circunstâncias, ou pelo que for, estamos escolhendo abrir mão ! E, se pararmos de responsabilizar os outros, as chances de sermos mais  autênticos e felizes, sem dúvida, serão maiores!
A grande questão é que a liberdade é a essência do espírito. Fomos feitos livres mas nos entregamos a paixões, a desejos, a idéias, nos envolvemos com trabalho, com projetos, com pessoas, investimos en sonhos, sentimentos, relacionamentos, ansiamos ser felizes, realizados, independentes e, no fim, nos tornamos quase que reféns de tudo isso, dessa correria inquietante. Comprometidos. Daí a grande importância de fazermos boas escolhas e de reconhecermos os próprios erros. Daí a grande necessidade de não nos acomodarmos, porque sempre podemos melhorar quem somos, onde estamos e o que fazemos. Acho que a vida é mesmo assim. Somos livres, mas dentro de nossos muros. Então, que sejam muros de castelos e não de prisões.

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