17 de outubro de 2015

Além da Lei


Estava lendo o sermão mais famoso de Jesus, no evangelho de Mateus, capitulo,5, o Sermão do Monte. Mas bem poderia ser chamado de Desabafo do Monte. Jesus parecia profundamente incomodado diante de muitas questões. Por diversas vezes ele diz: "vocês ouviram o que foi dito..." e cita uma série de questões sobre vários temas da lei. Em seguida acrescenta algo ainda mais rígido com um sonoro "mas eu lhes digo...". E a lei, que já era rígida, virava café pequeno diante do que Jesus apresentava. Deus queria mais. Além da aparência Jesus instaura o princípio do coração. Ele sabia como as pessoas banalizavam os mandamentos de Deus, justificando sua preguiça, seus desejos, seus erros, sua cobiça, sua falta de amor, com algum princípio da lei. Mera religiosidade. Jesus então confronta aquela gente, do alto de um monte. Sem microfone, sem recursos audiovisuais, sem papel e sem pretensão, fala a uma multidão de mais de cinco mil pessoas atentas. Ele começa: " vocês ouviram o que foi dito: não matem..." Então as pessoas pensam: " sou bom nisso aí, nunca matei ninguém, sou uma boa pessoa."  E Jesus segue: "mas eu lhes digo: se você se irar com alguém, já merece julgamento." E a multidão em silêncio, com certeza pensa: "o que? não posso nem ficar irado com meu vizinho? Jesus não conhece o meu vizinho!"  E isso é só o começo. Jesus fala sobre diversos temas. Divórcio, vingança, inimizades. Ele é implacável. Coloca em xeque o coração das pessoas. Mostra que por mais que as pessoas pensem ser justas, na verdade não são! 
Ninguém aplaudiu. As pessoas se deram conta de que o Desabafo "mas eu lhes digo" não era um sermão pra que elas se sentissem bem. Na verdade, era até bem deprimente, porque, se cumprir a lei já era algo bem difícil, aquilo que Jesus lhes propunha era impossível! E é exatamente o que ele pretendia: que as pessoas enxergassem a sua própria inconsistência. Que entendessem que nunca chegariam a ser perfeitas. Que deixassem de se vangloriar de seus atos "justos". Que parassem de justificar seus erros. O problema não era que continuassem a errar, mas era que se achavam bons, justos e merecedores por seus próprios méritos. Jesus queria que elas chegassem ao limite de si mesmas e entendessem que necessitavam da graça de Deus para ir além.
Eu poderia ser uma daquelas pessoas que ouviam aquele sermão. Nao sou diferente delas. Me sinto tão justa quanto elas se sentiam. Tão boa quanto. E acabo de me dar conta de que estou me enganando. Não sou tão justa assim, nem tão boa. Meu coração está exposto diante dos meus próprios olhos. Minhas fraquezas, meu orgulho, minha vaidade. Não se trata de merecer; trata-se do amor de Deus e da graça de Jesus. O bem ou o mal que eu faço não é mais importante pra Deus do que a pessoa que eu sou. Ele não fica zangado comigo, nem decepcionado. Deus se alegra por eu estar tentando e fica feliz com meus pequenos avanços. Ele estará sempre comigo pra me ajudar a aprender e a crescer. 

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