Estou aguardando minha vez num consultório psiquiátrico. Por favor, não faça essa cara de espanto! Por que ainda causa surpresa ouvir que alguém vai ao psiquiatra?! (Bom, talvez não seja o seu caso; talvez seja o meu.) Mas, de qualquer forma, aqui estou. E daqui a pouco vou ouvir o meu nome...
Enquanto espero, escrevo.
Há algumas pessoas aguardando e escuto suas historias. Em comum, buscam orientação e ajuda pra sair do ponto onde estão, já que, sozinhas, não conseguem sair. Não sou diferente delas.
Existe algo peculiar na dor: ela aproxima as pessoas, iguala e humaniza. De certa forma, as necessidades se assemelham, ainda que as dores sejam diferentes. Cada um conhece o peso que leva, as alegrias que sente, as tristezas que guarda e os pensamentos loucos que carrega. E é disso que estamos todos feitos: átomos, alegrias, células, tristezas, neurônios, neuroses, sistemas, devaneios e outro tanto! Até mesmo o psiquiatra. E agora eu penso nele. Como será ficar horas a fio dentro de uma sala, escutando varias pessoas, traduzindo suas reações e expressões para então concluir algo que lhes possa ajudar? Isso me parece um sacerdócio. E depois, quando volta pra casa, levando o eco disso tudo na mente, será que ele consegue ser normal? Ou ninguém consegue?
(Bom, ao menos, cada vez que abre a porta, ele abre um sorriso e parece estar calmo.)
Escrevo enquanto espero... Faço isso há quase dois anos com mais de 150 textos. O que eu espero? Superar a mim mesma, ser mais leal a mim, antes que o tempo me ganhe e eu perca o brilho, o jeito, a graça ou a vida.
Acabo de ouvir meu nome. Ele vai abrir a porta. Tomara que sorria.
(Ah, ele sorriu.)

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