5 de fevereiro de 2015

Esperando a vez


Estou aguardando minha vez num consultório psiquiátrico. Por favor, não faça essa cara de espanto! Por que ainda causa surpresa ouvir que alguém vai ao psiquiatra?! (Bom, talvez não seja o seu caso; talvez seja o meu.) Mas, de qualquer forma, aqui estou. E daqui a pouco vou ouvir o meu nome... 
Enquanto espero, escrevo.
Há algumas pessoas aguardando  e escuto suas historias. Em comum, buscam orientação e ajuda pra sair do ponto onde estão, já que, sozinhas, não conseguem sair. Não sou diferente delas.
Existe algo peculiar na dor: ela aproxima as pessoas, iguala e humaniza. De certa forma, as necessidades se assemelham, ainda que as dores sejam diferentes. Cada um conhece o peso que leva, as alegrias que sente, as tristezas que guarda  e os pensamentos loucos que carrega. E é disso que estamos todos feitos: átomos, alegrias, células, tristezas, neurônios, neuroses, sistemas, devaneios e outro tanto! Até mesmo o psiquiatra. E agora eu penso nele. Como será ficar horas a fio dentro de uma sala, escutando varias pessoas, traduzindo suas reações e expressões para então concluir algo que lhes possa ajudar? Isso me parece um sacerdócio. E depois, quando volta pra casa, levando o eco disso tudo na mente, será que ele consegue ser normal? Ou ninguém consegue? 
(Bom, ao menos, cada vez que abre a porta, ele abre um sorriso e parece estar calmo.)
Escrevo enquanto espero... Faço isso há quase dois anos com mais de 150 textos. O que eu espero? Superar a mim mesma, ser mais leal a mim, antes que o tempo me ganhe e eu perca o brilho, o jeito, a graça ou a vida.
Acabo de ouvir meu nome. Ele vai abrir a porta. Tomara que sorria.

(Ah, ele sorriu.)

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