23 de janeiro de 2015

Pane


Olha, estou para dizer que a falta de sossego é universal. O mal do século. Uma preocupação gera inquietação que provoca insatisfação e assim por diante. E me pergunto: como interromper esse ciclo? É como se as oportunidades escoassem por entre nossos dedos, diante dos incansáveis ponteiros do relógio que insistem em lembrar-nos que o tempo não para e que não vai dar tempo de fazer tudo que a gente quer. E também há as necessidades emergentes que nascem do desfile incessante de ofertas deslumbrantes que nos instigam a comprar, a trocar, a querer... Parece que vinculamos felicidade a "ter", e, se não temos, não somos felizes.
Estamos sendo atacados por muita informação. São escândalos, atos insanos, crises de todos os lados e, passada a novidade, viramos a página para outro fato. Então as novidades nascem e morrem no mesmo dia! Não dá tempo de nos surpreendermos, de curtir, de desfrutar, porque o ritmo da vida é frenético, vertiginoso e mal conseguimos processar as informações que mais parecem avalanches!
A nossa fala é rápida e os pensamentos mais rápidos ainda. Abreviamos a escrita, Simplificamos os contatos. Resumimos amigos em números. Expressamos nossas opiniões com curtidas, +1 ou repetimos as citações com as quais concordamos. Enfim, mais distanciados do que nunca e o que é pior, até de nós mesmos. Parece que sofremos da síndrome da falta de critério, aquela que nos impede de selecionar, de estabelecer prioridades. Tudo parece importante e não nos dedicamos a nada. Coisas vêm antes de pessoas e o tempo parece curto pra tantas coisas importantes. Podemos ter tudo com um simples clique na internet, não há fronteiras, não há distância, não há limite para a imaginação, Mas será que precisamos de tudo? Será que devemos querer tudo?
Nessa falta de critérios, de limites e de prioridades, nesse "querer tudo" está o esgotamento, a exaustão, o stress, a insaciedade, a inquietação e a insatisfação, porque ainda que se queira, não se pode ter tudo. Uma coisa quase sempre exclui outra e precisamos saber escolher, saber deixar, abrir mão, ou então morreremos por falta de simplicidade, coisa vital para quem deseja qualidade de vida. Viver é simples. Passa longe  dessa inquietante insatisfação.
Bom, diante de tudo isso, vou tirar uma folga.

Seja bem vindo!