A estrada era linda, emoldurada por montanhas azuladas e nuvens baixas. O rio sereno, escasso de água, correndo ao pé das montanhas, implorava às nuvens por um pouco de chuva. As folhas das árvores, à margem da estrada, balançavam bem diante dos nossos olhos, como a lembrar-nos que a esperança é verde. Era só seguir em frente. A estrada nos levaria ao destino que também era o início de tudo, onde Passado e Presente se encontrariam em questão de minutos...
Dia nostálgico. 05 de janeiro de 2015. Perdi minha vó.
Meus pensamentos conversavam com minhas lembranças, enquanto meu silencio apenas escutava...
A gente sabe que não existe coisa tão certa quanto a morte, mas sempre somos surpreendidos. Ela simplesmente se impõe e não há o que possa ser feito. Então vemos nosso tamanho real, que somos pequenos, frágeis, impotentes e que não nos é dado o direito de escolher dia, hora, lugar
e causa mortis.
Este não é um texto feliz ou romântico; é apenas uma reflexão que me atrevo a fazer, não sobre a morte, mas sobre a vida. Que ela passa rápido demais para ser desperdiçada. Que é uma aventura bonita, com muitas coisas a conhecer. Que menos que isso é só existir, não é viver...
Minha vozinha nos deixa hoje, aos 87 anos, justo no dia do aniversário da minha mãe.
Mamãe passou este dia sem os barulhos festivos do "parabéns pra você", aos 67 anos. Morte e Vida no mesmo dia, é coisa demais para pensar.
E foi observando como a vida terminava naquele cemitério silencioso, que, repentinamente, senti muita vontade de viver...
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