26 de dezembro de 2014

Entre livros, livre


Entrei numa livraria e enlouqueci. Acho que foi aquele cheiro de livro novo. Mergulhei num mundo mágico com direito à máquina do tempo de ida e volta ao passado e ao futuro em questão de segundos. Voltei aos meus 13 anos, quando me apaixonei pela leitura e fiquei um tempo lá, revendo aquela garota tímida cheia de sonhos. Fui ao futuro, não sei quando, buscar a mulher que se perdeu entre fragmentos de sonhos e palavras. E aqui estou, no presente, tentando unir esses extremos da minha vida em poucos minutos. Minha mente parece uma pista de corrida, os pensamentos passam velozmente, competindo entre si o grau de importância.
Queria aproveitar os últimos momentos de delírio entre os livros e deixar que aquele encantamento me invadisse.
Foi quando me dei conta de que eu posso fazer muitas coisas, desde que realmente queira. Não pude conter a emoção que meu coração bombeava e, de repente, chorei. Nem sei por que. Diante dos meus dois pequenos, que, curiosos, liam, sentados num canto de leitura, deixei que meu peito apertado se aliviasse em lágrimas. Uma dor que dormia, foi despertada. Por que despertar a dor quando ela já dorme? Agora, acordada, tenho que encará-la. "Mas aqui, dentro da livraria?!", foi a voz que escutei na minha cabeça. E respondi: "sim, não há lugar melhor." Entre livros, capas, prefácios, cheiros, estava uma mente inquieta, precisando de silêncio, precisando encontrar-se. E comecei naquele instante a minha viagem. Não para o exterior, nem para outra cidade, mas para dentro de mim a fim de descobrir-me, de limpar o lixo que outros deixaram e assim estar livre para pegar a caneta e escrever a minha própria historia. 
Bom, estas linhas podem ser meras divagações, mas eu ainda prefiro crer que estou reeditando o meu livro, com memórias felizes... felizes por nada y por tudo.

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