De repente (mas nem tanto) a gente se dá conta de muitas coisas. Algumas nos enchem de orgulho e de outras sentimos vergonha. De qualquer forma, em ambos os casos não se pode fazer coisa alguma. Mudar, consertar, reviver, nada disso é possível simplesmente porque o tempo só anda para a frente.
Resta-nos aceitar e criar um tempo novo a partir das experiências.
Tenho recordações lindas que continuam me inspirando, mesmo depois de muito tempo. Essas me dão um que de alegria e energia que agem como estimulante da autoestima! E quando agem, eu sou aquela vivendo em mim hoje. E aquela me motiva, me mostra o que preciso melhorar, me faz ver que ainda tenho todas as ferramentas de que preciso!
Também tenho recordações que, se eu pudesse, não hesitaria em apagar de vez, porque me envergonham, me lembram erros que cometi, coisas que sofri, tempo que perdi. Essas são assassinas! Conseguem reduzir a nada o progresso que eu estava conseguindo. Elas me dizem que não mereço o melhor, que vai acontecer de novo, que não tem mais jeito, que sou culpada, entre outras coisas que me sussurram. E o que é intrigante, essas palavras depreciativas são armazenadas rapidamente e invadem a mente de tal maneira, que se tornam poderosas e influentes sobre meu comportamento, enquanto que as outras palavras, as boas, ficam acuadas e perdem a força. E pronto, isso determina a qualidade dos meus pensamentos que por sua vez determinam a minha qualidade de vida.
Estou procurando uma maneira de vencer esse duelo. Eu quero vencer as duas correntes. O que não foi bom pode contribuir para o bem, porque certamente plantou sabedoria em minha alma e não quero apagar esse resultado! Assim, conscientemente devo assumir o comando para conseguir ser melhor do que eu já fui. Tenho sempre a perspectiva de que estou competindo com quem eu era antes, para vencer aquela versão passada de mim e crescer.
Assim, não posso esquecer o que foi horrível e guardar só o que foi maravilhoso, porque, afinal, eu sou a combinação dos resultados desses dois lados das minhas memórias.
