24 de maio de 2014

Livres: até que ponto?


"A vida é minha, eu faço o que eu quiser." Com certeza já falamos assim, não uma, mas algumas vezes, e já ouvimos outras tantas. Geralmente naqueles momentos em que, irritados, respondemos a alguém que nos contrariou ou interferiu na nossa "liberdade". Mas, sabe, desconheço uma afirmação mais equivocada que essa! Deixe-me explicar.
Somos livres enquanto seres pensantes, dotados de livre arbítrio, mas somos interdependentes enquanto seres sociais. A vida é nossa sim, como um bem que nos foi dado para tomarmos conta. Não nascemos porque pedimos, não escolhemos nossos progenitores, nem nossos irmãos de sangue. Também não sabemos o dia nem a causa da nossa morte. O intervalo entre esses dois eventos é o que chamamos de vida e dizemos tão veementemente que é nosso, quando na verdade não temos controle sobre nenhum dia, a não ser sobre hoje, mais exatamente agora, visto que o minuto seguinte já é futuro... Não podemos nem mesmo fazer tudo que temos vontade porque pode ser que algumas dessas nossas vontades prejudiquem outras pessoas. Que direito então tenho eu de fazer o que eu quiser da minha vida, se tantos outros estão ligados a mim? Se a minha liberdade termina no ponto em que a do outro começa? Há uma linha tênue, um limite entre as relações sociais que, infringido e ultrapassado, sem dúvida acarreta dificuldades e leva relacionamentos ao fracasso e à ruptura. Não somos tão livres assim, de fato, mas somos tão livres quanto nos sentimos por dentro, pois a liberdade não está em fazer o que se quer, mas em dominar as próprias vontades. Isso é ser livre: ter a consciência em paz, sentir alegria nas coisas simples, ser capaz de perdoar, cultivar um coração generoso e agradecido. 
Liberdade são asas do lado de dentro. É um estado, não um discurso. É postura, não rebeldia. É aceitação, não revolta.  É realmente livre quem conhece a verdade, vive a verdade e não se deixa escravizar por sua própria vontade. Quem tem autocontrole, questiona, sabe esperar e sonha. Ainda que limitado por conceitos, sistemas, convenções e restrições, tem a alma como um pássaro capaz do mais lindo canto, mesmo dentro de uma gaiola.


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