Ouvi uma frase: "onde há muita falta, coloca-se muita coisa." Isso me fez pensar em como preencher vazios ou em como não preenchê-los...
Fácil preencher um armário vazio, mas e o coração? E a alma? E a mente? Não dá para sair comendo compulsivamente, comprando ilimitadamente, fazendo o que bem entende. Quando a sensação de vazio é interior, nada disso é capaz de preencher. Apenas compensar. E toda compensação é um jeito de fugir. Além do mais, preencher tais vazios dessa forma, é entulhar a alma de coisas que não vão se encaixar, porque o vazio não tem forma de coisa alguma... talvez tenha nome: falta disso, falta daquilo... A chave é que todo vazio é um monte de nada que outrora fora ocupado e suprido, e, por alguma razão, deixou de ser.Tendemos a olhar demoradamente para o nada e corremos grande risco de cair nesse abismo. E pouca coisa exerce tanta força sobre nós como a sensação do nada, do vazio, da perda. Ou encontramos uma maneira ou sucumbimos.
Não me refiro ao vazio espiritual, porque este é suprido quando nos relacionamos com Deus. Falo de um vazio na alma procedente de sonhos desfeitos, falta de esperança, falta de amor, objetivos frustrados, autoestima maltratada e tantas outras mazelas que nos acometem nessa vida. Talvez o que precise ser feito é respeitar o luto do que se perdeu. Chorar, refletir, compreender, mudar o que pode ser mudado e aceitar o que não se pode mudar.
Há vazios, esses de dentro, que não se preenchem com coisas, porque cada coisa tem uma forma e o vazio tem a forma daquilo que se foi... Eles apenas existem em cada um, conforme as escolhas que fazemos e aquilo que perdemos.
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