2 de março de 2014

Perdoa


Não conceda perdão ilógico, inúmeras vezes, sem confronto. Do tipo que vai anulando a dignidade de e afetando a autoestima de quem foi ofendido. Do tipo que não ensina o ofensor a lição que deve aprender e não o constrange para que não repita o erro. Não, esse perdão não liberta ninguém.
Perdoa, sim, com entendimento. Chora, reclama, pergunta, faz questão de respostas, esclarece, compreende. Olha nos olhos de quem te ofendeu e ajuda-o a olhar nos teus. Tira do teu coração o lixo que o outro deixou com os erros que cometeu contra ti e responsabiliza-o pela limpeza. Dá ao teu ofensor a chance da reconquista, não tira dele a oportunidade de mudar.
O que impulsiona alguém a conceder um perdão racional está além de méritos pessoais. Só o amor que vem de Deus, em sua mais nobre e verdadeira manifestação, possibilita que o ferido veja o outro além de seu erro e o ame incondicionalmente. Não é doentio, porque busca o diálogo.  Não é obcecado, porque analisa. Não é egoísta, porque deixa livre. Capacita o ofensor a diminuir as possibilidades de errar outra vez e extrai o melhor dele. Ainda assim, ambos, quem feriu e quem foi ferido,  vão sofrer juntos, mas também se confortarão. Ambos vão sentir frieza, mas também se aquecerão. Qualquer tentativa de perdoar em  outros moldes, vai fracassar. Ainda que se queira muito tentar, o ofendido não resistirá à profunda dor que o outro lhe causou. O perdão que rompe com a decepção e destrói a raiz da amargura, é o mesmo que possibilita a ambos continuar. Não é sem dor, mas é eficaz. Não é por fraqueza, mas por amor. Quem já precisou de um perdão assim, sabe quão importante é para que a vida siga em frente. Sem perdão genuíno, relacionamento, sentimento e pessoas, se degeneram. Tudo adoece e morre, lentamente. E a pior morte talvez seja essa, daquilo que perdemos em vida.

Seja bem vindo!