Uma folha. Pincel, lápis e nada de borracha. E o tempo que não espera, não atrasa e nem adianta. E um monte de gente observando. E nós mesmos, querendo acertar, querendo agradar, querendo aproveitar. Por que essa pressa?! Ter pressa não adianta os ponteiros do tempo e, apressados, erramos mais. A imperfeição segue a pressa. No afã de adiantar, colocamos em risco a folha e todo um trabalho. Poderíamos amassá-la, jogar fora, pegar outra, refazer o desenho, a escrita... mas não há outra. É uma única folha... é a nossa vida.
É como um rascunho. Só não sabemos se haverá tempo de passar a limpo. Melhor é desenhar devagar, evitar os borrões, cuidar para que não amasse, que não se rasgue e seja confundido com lixo. Melhor é escolher com cuidado as cores para pintar, fazer traços firmes e precisos, aproveitar todo o espaço que se tem. Melhor é deixar de pensar na folha de ontem, porque já passou. Melhor é olhar para a que recebemos hoje e procurar fazer um desenho mais bem feito. Pode ser o nosso último rascunho.
