
"Um casulo é o túmulo da lagarta e o berço da borboleta." (Marquês de Maricá).
Li esta frase e fiquei encantada com a figura de linguagem usada pelo autor para uma palavra de aspecto tão permanente: mudança. Pensei no processo que acontece no interior do casulo, às ocultas. A fios de seda, vai sendo tecida uma nova natureza. A lagarta não se reconhece, não se vê como de fato é ou como virá a ser, mas trabalha silenciosamente em si mesma. E ali, na solidão do seu casulo, a lagarta se abandona e o que parece o fim, na verdade, é um novo começo: do corpo outrora desengonçado, surgem duas asas que no tempo certo se libertam... e do pequeno e apertado casulo, nasce uma borboleta! Céu, jardins, campos e flores a esperam. E ela, recém saída do casulo, jamais voltará a ele! Incrível metamorfose que acontece sem ajuda, sem interferência, sem nenhum artificio. Apenas o tempo e a própria natureza desejosa de transformar-se.
Não é diferente conosco. Vamos vivendo, trabalhando, constituindo familia, adquirindo coisas e conhecimentos, progredindo, rindo, chorando, sentindo, sofrendo, até que um dia nos fechamos em um casulo e nos involucramos. Nos calamos e nos retraímos. Mudanças acontecem dentro de nós, vagarosa e silenciosamente. Nossos sentimentos são provados, as percepções amadurecem, uns pensamentos se solidificam, outros são banidos, atitudes são repensadas e novas prioridades se estabelecem. Em nosso interior, uma metamorfose se instala e não a podemos resistir, pelo bem da nossa felicidade. Quando chega o tempo, não há como retroceder... Lidamos com sentimentos que tentávamos esconder. Choramos por erros cometidos. Olhamos nos olhos dos nossos medos, dos quais procurávamos fugir. Encaramos as nossas culpas que antes nos aprisionavam. E, um dia, de repente, nos sentimos diferentes, mais confortáveis dentro de nós mesmos.
Enfim chegou a mudança de que precisávamos! Como retomar a vida anterior, quando em nosso coração começamos a entender o que passou e que já não somos mais os mesmos? E ainda que as feridas de outrora fiquem como cicatrizes num canto qualquer da nossa alma, elas nos farão lembrar que sobrevivemos e ganhamos uma nova chance, dessa vez com asas que nos tirarão do chão! Vamos sobrevoar circunstâncias como se fossem jardins floridos... e jamais seremos como antes.
Enfim chegou a mudança de que precisávamos! Como retomar a vida anterior, quando em nosso coração começamos a entender o que passou e que já não somos mais os mesmos? E ainda que as feridas de outrora fiquem como cicatrizes num canto qualquer da nossa alma, elas nos farão lembrar que sobrevivemos e ganhamos uma nova chance, dessa vez com asas que nos tirarão do chão! Vamos sobrevoar circunstâncias como se fossem jardins floridos... e jamais seremos como antes.
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