15 de outubro de 2013

Sombras e Sobras

                               

Houve um dia em que as palavras emudeceram. As luzes se apagaram e o que parecia interminável, terminou. Então sobraram lembranças que, por não se alimentarem de sonhos, também se esmigalharam. Restara apenas sombras e sobras, espectros da luz e da abundância de outrora. 
Quem viveu ao sol e quem se fartou do bem, pode ser que consiga da escassez tirar algum sustento, mas pode ser que não...
Pode ser que replante em solo seco, mas pode ser que não...
Pode ser que seus olhos, acostumados à luz, consigam ver no escuro, mas pode ser que não...
Pode ser que consiga agigantar-se na sombra, mas pode ser que não...
Pode ser que na falta de uma coisa encontre o sentido de outra, que na falta de luz enxergue melhor o céu, que no silêncio de ficar sozinho escute melhor a própria voz e que no medo do desconhecido conheça a própria coragem... mas pode ser que não.
Como saber?! Se somos uma sequência frenética de momentos, se somos uma fábrica de pensamentos, um mar de sentimentos e um sem número de possibilidades, como podemos prever se no escuro seremos capazes de acender a luz e se na privação seremos capazes de repartir? 
Sinceramente espero que seja possível. Espero ser alguém que consiga.


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