Adrenalina. Coração acelerado. Tremores. Isso é medo. Uma sensação que nos coloca em estado de alerta, prontos a enfrentar ou a fugir. Um estado de preservação e defesa contra algo que nos ameaça. Uma reação a um estímulo físico ou psicológico, que libera estresse no organismo. Muitas definições pra um sentimento tão comum... Antes de sentirmos medo ficamos ansiosos. Tememos por antecipação o encontro com o que nos causa algum tipo de mal. Numa escala, temos a ansiedade numa ponta e o pânico na outra. Experimentamos reações as mais diversas, que são manifestações do medo que sentimos. Redobramos a atenção com tudo que nos rodeia, suspeitamos, e às vezes até comprometemos nossos relacionamentos. Esse já não é mais um medo natural. Tornou-se fobia, caso patológico e, se chegamos a esse ponto, precisamos de ajuda. Ansiedade e depressão, desencadeando um estado de pânico, são decorrentes de um medo anormal, que se torna um grande inimigo. Está por trás de nossos fracassos, de nossos relacionamentos interrompidos, de nossas enfermidades físicas e psicológicas. Nos faz reféns, limita nossos avanços, enche nossa mente de pensamentos sombrios. Ficamos acuados como uma criança com medo do homem escondido debaixo da cama, até que o pai venha, acenda a luz e ambos olham embaixo da cama... a criança então vê que não tem ninguém lá e rompe com o domínio do medo!
Há algo de bom em sentirmos o medo natural, porque ele é preventivo, e nos leva a sermos prudentes, comedidos e atentos. É um alerta do corpo e da mente pra nossa defesa e proteção. Mas o medo que paralisa precisa ser deposto. Eu mesma lido com meus próprios medos diariamente, dos mais simples até aos que tentam me impedir de realizar meus desejos e objetivos. Quando me dedico às pessoas e às coisas que amo, sou encorajada por elas, sou aperfeiçoada, porque o amor não cede ao medo, antes o medo cede ao amor. Não me refiro aqui a medo do escuro, de fantasma, de qualquer outra coisa que sucumba à luz. As sombras são sinistras, mas não são reais. Assim também os nossos pensamentos falsos são meras sombras da realidade. Se os colocarmos à luz da razão, muitos deles perderão o poder sobre nós! Acho que existem apenas dois medos intrínsecos: medo de barulho e medo de cair. Experimente brincar com uma criancinha de levantá-la no alto e vai ver como ela enrijece o corpinho, insegura. Também ao ouvir um som alto ela se assusta e até chora. Incrivelmente observo que esses dois medos nos acompanham até a vida adulta. Quantas vezes senti que estava caindo enquanto dormia e me assustei durante o sono... E quantas vezes um barulho ou um som alto incomodou meu bem estar, trazendo inquietação... Pois bem, acredito que esses medos são natos. Todos os outros são adquiridos durante a vida, por experiências traumáticas, por baixa autoestima, por pensamentos falsos e crenças improváveis. Precisamos nos livrar desses medos e isso é uma das muitas decisões que devemos tomar na vida. Nos basta saber que quando decidimos desmascarar os nossos medos e não nos permitimos ter medos persistentes, o nosso subconsciente pode mudar os condicionamentos que o medo nos impõe e podemos enfim superá-los. Existe uma força muito grande por trás da nossa vontade... Da mesma forma que adquirimos medos é possível vencê-los com uma decisão que iniciará um processo de reestruturar o pensamento enquanto, gradativamente, enfrentamos o medo.
Essa decisão é como acender a luz, olhar embaixo da cama e constatar que não tem nada lá, além de sombras que se desfazem com a luz. Rompe-se o domínio.
