27 de março de 2013

Outono da Vida



Águas de março fecham o verão. Folhas amareladas nas árvores começam a sua graciosa dança ao vento. Gente varrendo as calçadas com água, como se vassoura fosse, reclama das folhas caídas no chão. Ar mais fresco entrando nas casas, nos pulmões, na vida, e um perfume de terra molhada que a chuva tão esperada traz.
Depois do sol no céu todo azul do verão, é a vez do outono desenhar nuvens, pincelar tons alaranjados e lilases no poente e amarelar folhas de árvores que valsam no sopro de uma brisa levemente fria. A Terra se reveste de melancolia enquanto aguarda a chegada do inverno. Nada mais nostálgico que o outono. A natureza em transição, ensinando que há um tempo para todas as coisas e que todas as coisas são agradáveis em seu tempo... Que "um dia de chuva é tão importante quanto um dia de sol e que ambos são igualmente  belos"... Que o sol continua brilhando atrás das nuvens, mesmo quando chove tanto lá fora... Que há expectativa de frutos... Que saber esperar é uma virtude e uma exigência.
Nada há que se assemelhe tanto à alma quanto o outono, pois nada é tão fixo e permanente quanto a necessidade de mudar, de adaptar-se, de melhorar, de crescer, de dar resultados. Somos tão exigidos, tão observados, tão avaliados, senão por nós mesmos, então pelos outros. É como se estivéssemos sempre de passagem pela nossa própria vida: já não somos como éramos ontem, mas ainda não somos o que haveremos de ser; já não estamos na condição de antes mas ainda não estamos onde devíamos estar. O melhor está sempre por vir, mas agora já é bom...
Não é aqui o ponto final, o lugar de descanso. Viver é dinâmico. É pura química e física. É ação e reação, energia e movimento, alternados com períodos de inércia. É troca, multiplicação, soma e subtração. É atração e oposição. É dar e receber, plantar e colher.
Com todo esse dinamismo, não há quem não precise de um tempo pra recobrar as forças,  renovar a mente, cuidar das emoções, aprimorar os sentidos e deixar-se, então, florescer. O outono da alma. A estação da vida. A poda. A varredura. A seca. O corte. Depois, o renovo. A folha. A flor... o fruto!


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