Ando pensando que o fim das coisas é mais desafiador que o começo. Não espero que concorde, mas proponho uma reflexão.
Os começos não são fáceis, mas têm a seu favor a expectativa, a motivação, as surpresas, a esperança, o viço, a energia, a vontade, a força, a criatividade. Tudo isso, junto, ameniza a pouca ou nenhuma experiência que caracteriza qualquer projeto novo. O outro extremo poderia ser o contrário das coisas que listei antes, mas não necessariamente.
O tempo passa pra tudo e pra todos. Coisas, projetos, pessoas, tudo está sob a vigência do tempo. Coisas se deterioram, projetos se realizam ou não, pessoas se cansam, desistem, envelhecem e até se vão. As coisas, nós as usamos enquanto estão novas ou enquanto nos servem. Os projetos, a gente pensa, investe recursos, empreende esforços, dedica grande parte da nossa vida sendo úteis e produzindo algo, até que deixamos de ser e de produzir. As pessoas, bem, as pessoas...acredito que elas são O projeto. Relacionamentos são projetos em construção e desconstrução, todo o tempo. O mundo gira em torno deles.
Quando penso em alguém, o que me vem à mente é que essa pessoa é um universo de idéias, sentimentos, histórias, características únicas, muitas possibilidades, carências, dificuldades, sonhos e vontades. Uma pessoa sozinha já é tudo isso. Duas juntas, então...!
Alguns relacionamentos são uma grande idéia, desde o começo. Cheios de vida, de troca, de diálogos, intensos, alegres, disponíveis e desejosos. Algumas pessoas tornam-se mutuamente melhores!...
O pouco conhecimento do outro e a imaturidade do começo não são tão ameaçadores para um bom relacionamento quanto, em muitos casos, a intimidade. Por isso propus a reflexão no início deste texto... A intimidade pode comprometer um pouco a privacidade, a novidade e o romance, mas garante o apoio, a cumplicidade, o companheirismo e a amizade, que fazem muita falta ao relacionamento, quando não existem.
Ando pensando que o fim é mais difícil que o começo, não o fim pontual de uma relação, mas quando ela caminha para o fim, porque é fato que a vida caminha no tempo para o fim das coisas, o que, algumas vezes, representa o começo de outras.
Olhar para o amor de uma vida e dizer que o ama como no começo, pode ter o seu valor (até acredito que tenha, afinal, tanta coisa acontece, que manter o amor vivo já é, em si, uma conquista).
Mas, para mim, a grande sacada é olhar para o amor de uma vida e sentir que o ama mais do que no começo...
Para esse, o fim talvez não chegue. É um grande projeto, não acha?...

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