Sala fria, paredes azuis, ar gelado, penumbra. O doutor no seu jaleco branco e sua experiência visivelmente notada nos cabelos brancos e na voz mansa. Ecocardiograma.
- O que está sentindo, menina?
(Já gostei dele... eu, uma menina de 44 anos!)
- Muito cansaço no peito, doutor.
Silêncio sepulcral de repente quebrado pelo som das batidas do meu coração acelerado. Me lembrei da última vez que havia ouvido aquele barulho lindo: o coração da minha filha batendo dentro da minha barriga. Mas agora era o meu coração, era a minha vida pulsando. No monitor bem à minha frente eu vi aquele órgão se movendo a cada batimento. Há 44 anos batendo daquele jeito, sem parar nem um minuto, graças a Deus. Que valentia!... Agora ali, eu e ele. Ele, batendo loucamente; eu, como que prestando contas . Algumas vezes partido, teimoso quase sempre, "indesistível" sempre...
Ah... meu coração! Não vá me deixar na mão!... continue aí, batendo no meu peito, no compasso do céu, sustentando a minha vida nesse corpo que ainda tem muito que viver... Prometo cuidar melhor de você... Prometo cuidar melhor... prometo cuidar... Prometo...
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