28 de abril de 2017

De Corpo e Alma


Hoje fui a um velório. Confesso que não foi agradável levantar pela manhã sabendo que teria um velório pra ir. Dia lindo, céu azul, vento de outono... aquele ar gelado, parecendo indicar que alguém foi embora. Não sou boa com despedidas, posso nem mesmo conhecer quem está se despedindo, mas como meu coração se conecta rapidamente  ao sentimento do outro, logo penso que estou ali, fazendo parte da vida das pessoas naquele momento. Então  me veio à mente Eclesiastes 7: 2, que diz: " É melhor estar numa casa onde há luto do que numa casa onde há banquete, porque lá se vê o fim de todos as pessoas e todos aplicam isso ao seu coração."  E foi exatamente assim... Ali, na minha frente, um corpo. Apenas um corpo que serviu aquele homem enquanto esteve vivo. Agora frio, inerte, sem cor. A realidade caiu feito pedra na minha cabeça: eu não sou o meu corpo; eu sou o que habita o meu corpo. Minha alma sou eu. Quantas vezes prestigiamos tanto o corpo, cuidamos tanto das formas, da saúde física e da aparência, enquanto nossa alma suplica por atenção... nossos sentimentos sonegados, nossa mente cheia de lixo! Nós somos um conjunto de emoções, somos resultado das nossas experiências  e escolhas, somos o que pensamos, sentimos, lemos. Somos as viagens que fazemos, as pessoas que conhecemos, os conhecimentos que adquirimos. Somos nossos sonhos, A soma de nossos sucessos e fracasso. Enfim, é isso que somos. É isso que habita o nosso corpo em vida. Quantas vezes nossa alma adoece por falta de cuidado, quantas pessoas mortas por dentro enquanto seus corpos andam por aí... Não é porque não se vê a alma que ela não seja importante, mas o corpo que se vê, se move, anda, fala, eu, chora.... com esse nos preocupamos muito mais. Belo disfarce para oque realmente importa!... Fiquei refletindo enquanto olhava o corpo daquele senhor. Era como me olhar no espelho e saber que um dia eu vou estar no lugar dele. Até que esse dia chegue, vou viver melhor a minha vida e isso significa que vou cuidar melhor de mim. Quero dar mais valor e atenção ao que não se pode ver, ao que ficará depois que eu for, na vida daqueles com quem convivo agora. Que falem das coisas boas que fiz, que se lembrem de mim com saudade, que minha falta seja sentida, que me citem  como um bom exemplo, que leiam meus textos e se inspirem nas minhas palavras, que cantem as minhas músicas, que se emocionem com minha lembrança, que minha vida permaneça como um perfume bom quando o meu corpo já não responder. Não quero desperdiçar o infinito de Deus em mim, nem descuidar do que é eterno. Quando minha alma voltar ao meu Criador e se apresentar perante Ele, quero ouvir do meu Senhor: " Bem vinda, minha filha! Estava com saudades de você! Como você cresceu...!"

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