8 de fevereiro de 2017

O valor do silêncio


Amo as palavras, mas gosto muito do silêncio também. Aliás, desde que me tornei mãe, silêncio é coisa rara. Já ri bastante com meus filhos brincando de "vaca amarela, quem falar primeiro come o cocô dela...". Nem assim. Já tentei imaginar como seria não pensar em nada, mas acredito ser impossível, porque os pensamentos parecem ser autônomos. E além disso são velozes. Passam correndo pela nossa mente, interrompendo-se, confundindo-nos. Apenas quando falamos, cessam, porque ninguém pensa e fala ao mesmo tempo. Primeiro pensamos e depois falamos. Ou primeiro falamos e só depois então pensamos (...). Nem sempre dizemos o que pensamos e pior ainda é quando não pensamos conforme falamos... Às vezes pode ser melhor calar do que falar. Palavras fazem muito barulho e aquietar-se talvez seja  uma necessidade  profunda da nossa alma. Silenciar por dentro é saber. Saber que Deus está cuidando, saber-se amado. Saber que no fim vai dar certo, que pode confiar, que não está sozinho. Estar quieto não é estar indiferente. É tão somente esperar. É encontrar-se consigo mesmo e com Deus. É sentir-se confortável sem precisar de palavras. É perceber-se. Nesse silêncio não cabe medo, nem insegurança. É a  calma da consciência livre, de não precisar de autoafirmação, reconhecimento ou aprovação. É a paz que supera o entendimento, é mais que ausência de ruídos e sons. É quando a mente e o coração repousam, quando a alma sossega, quando a ansiedade dá lugar à confiança, quando o pessimismo dá lugar à esperança, quando a necessidade de impor-se sobre os outros cede à generosidade. Quero exercitar isso  fim de conseguir ouvir minha própria voz e a voz de Deus, mais do que todas as outras que insistem em falar mais alto. É madrugada. Silêncio perfeito lá fora. Dentro de mim, as batidas do meu coração. Na minha mente, só os pensamentos que acabo de escrever. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo!