Uma lagarta desengonçada se transforma em uma linda borboleta. A gente vê um casulo e nem imagina como foi que tudo começou... não imagina como é que uma feia lagarta se torna uma exuberante borboleta. Tive vontade de saber um pouco mais sobre essa transformação e aprendi algumas coisas magníficas, que quero compartilhar...
"Uma adulta e faceira borboleta em seu vôo, escolhe uma planta antes de acasalar. Sua curta vida está perto do fim e ela precisa garantir a continuidade de sua espécie. Na parte inferior das folhas ela despeja os seus ovos aos montes. Depois de dez dias nascem as lagartas e já começam a comer a casca do próprio ovo e em seguida as folhas da planta que as abrigara... são pequeninas comedoras vorazes que passam a sua vida comendo. Bem, o único trabalho da lagarta é comer, comer, comer e reservar, reservar, reservar. Quando já reservou o suficiente, a lagarta pára de comer e procura um lugar protegido para ficar. Ali, quietinha, ela não come mais e se move muito pouco. Em volta do próprio corpo ela tece uma proteção, que é o casulo. Lá dentro, isolada, escondida, a lagarta tem seu corpo atacado pelo mesmo ácido usado pra digerir as folhas que comeu, sendo lentamente destruído de dentro pra fora, ainda que algumas células se mantenham para caracterizar o novo ser que em breve estará formado. Destruir para reconstruir ininterruptamente, num silêncio absoluto, um novo coração, um novo sistema, o corpo da futura borboleta. Dentro de aproximadamente quinze dias, o casulo começa a se romper até que a nova criatura aparece. Seu corpo pulsa enquanto bombeia os fluidos que estavam armazenados no casulo para as asas, ainda pequenas e molhadas. Alguns poucos dias mais e as asas já estarão secas e crescidas e a borboleta poderá, enfim, desprender-se do casulo e voar. Recomeça, então, o incrível ciclo da vida."
Muito sugestivo esse processo de transformação da borboleta em lagarta e muito já tem sido escrito sobre isso, muitas comparações e aplicações têm sido feitas. Aqui vai a minha...
Várias vezes me senti borboleta no processo de virar lagarta. Perdi as asas que me levavam tão longe, que me faziam sobrevoar, que me conferiam graça, cor e alegria. Então, me isolei e me fechei. Levei um tempo silenciosa, escondida. Desenvolvi autoproteção e autodefesa. Destruí parte do que eu era pra que outras partes pudessem surgir. Lentamente fui reconstruindo um novo sistema, formando novos conceitos a partir de velhos princípios. Então mudei de dentro pra fora até que a transformação foi visível. No tempo certo, saí do casulo. De lagarta a borboleta...
É de dentro pra fora que a mudança acontece. Se alguém tentar romper o casulo na intenção de ajudar a borboleta a sair, por pensar que ela não tem força suficiente, vai ter a decepção de não vê-la dar o primeiro vôo: as asas pequenas, fracas e molhadas não estarão prontas ainda. Há um tempo certo para todas as coisas. Cada coisa tem o seu tempo e o seu ritmo, e isso deve ser respeitado. Assim que, se ainda estamos refugiados, anônimos, quase que invisíveis, devemos esperar o tempo do silêncio, o luto das partes mortas, a dor da perda e da mutilação. Esperar, enquanto tudo coopera para o ressurgimento de um novo ser, surpreendente. Logo, logo, as asas crescerão e ficarão fortes o bastante para um primeiro vôo, depois de tanto rastejar... Lagartas parecem iguais, mas borboletas são sempre fascinantes! Nunca se sabe que cores terão depois do confinamento, mas é sabido que sobrevoarão jardins, alegrarão o céu à altura dos olhares, polinizarão flores e pousarão novamente para recomeçar o ciclo.
A vida é assim. Assim também somos. Depois de cada luta a vitória vem, nós ficamos mais fortes e mais ousados, mais bonitos por dentro e por fora, porque nossa aparência, mais cedo ou mais tarde, revela o que a gente leva dentro... Somos essa "metamorfose ambulante". Ainda bem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário