Não lembro de ter visto minha avó agitada ou estressada. Sempre tinha um bolo no forno, uma história pra contar. Eu andava atrás dela, ouvindo os casos que contava e vendo as coisas que fazia na casa, na cozinha, como dava conta de tudo e ainda sabia ser a vó mais doce e carinhosa do mundo. Não sei se era realizada ou frustrada, mas lembro de tê-la ouvido dizer algumas vezes que queria ter nascido homem para ser maquinista... E me arrependo de nunca ter insistido pra que explicasse o porquê. Tenho gravado na memória o cheiro dela, da comida que fazia, o som da sua risada, da sua voz e como ela era maravilhosa. Ainda choro de saudade da minha vó. E acho que ela faz parte da ultima geração de avós com "jeito de vó"...porque hoje as avós estão nas academias, nas faculdades, no mercado de trabalho. Não se parecem nem de longe com aquela figura de cabelos grisalhos, quase sem vaidade, dada a cozinhar de avental, a receber os netos contar historias, etc e tal. Mas também entendo que os tempos mudam e as pessoas vivem de acordo com seu tempo. Só lamento que haja tanta pressão sobre a mulher hoje. Exige-se dela que tenha medidas perfeitas (ou quase), que pinte os cabelos, que se mantenha jovem e jovial, que trabalhe fora, que seja boa esposa, boa mãe, boa de cama, que não pare de estudar, que seja engajada politicamente, que dirija seu próprio carro, UFA!... Resultado: estresse, exaustão.
Sinceramente, gostaria que as atenções se voltassem mais para os homens, que eles experimentassem essa escalada e que nos, mulheres, pudéssemos enfim relaxar. Que as mães conseguissem ser mães, que pudessem trabalhar ou não sem se sentirem culpadas, que as avós pusessem ser vovôs, e as meninas pudessem ser meninas, crianças, inocentes. Que cada uma fosse como quisesse ser e gostasse de ser como é. Creio que assim recuperaríamos um pouco de paz e ficaríamos mais bonitas, sem gastar dinheiro... porque mulheres felizes, de qualquer idade, são lindas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário