Parece que é a mesma coisa, mas não é. Permitir é dar a alguém a liberdade de decidir sobre alguma coisa e de atuar sobre aquilo. Conceder é ceder a alguém o direito de decidir e atuar sobre alguma coisa, porém sem abrir mão do próprio argumento.
É tão tênue a linha que separa ambas as atitudes quanto é vasta a lista das consequências de cada uma. Me faz lembrar do ensinamento de Jesus acerca do sim e do não: se é sim, sim; se é não, não. O que passa disso é problemático. É procrastinação. É omissão. É indecisão. É mente dividida. E não existe coisa pior do que uma mente dividida entre duas opiniões, entre duas escolhas, entre dois pensamentos. É como um manco, um coxo, que ora pende para a direita, ora para a esquerda. Falta firmeza, orientação, direção. E vai faltar persistência, clareza e segurança. Acredito que não exista nada mais comprometedor na vida do que a ausência dessas coisas.
Pode parecer também que não há coesão nestes pensamentos, mas na verdade há muito mais do que se pode imaginar. Quando permitimos algo a alguém, damos a essa pessoa o direito de exercer a sua autonomia e a sua capacidade de interferir, de agir, de decidir, de rejeitar, de acolher, de transformar e até de jogar fora. Permitir é entregar, é sair de cena para que o outro atue. É dizer "sim, você pode" ou então "não, você não pode". É assumir o ônus da permissão, que é a perda, e desfrutar do bônus, que é a maturidade, o desapego e a experiência.
Mas ao fazermos uma concessão, corremos o risco de ficar embaraçados e confusos, simplesmente por ceder quando talvez o melhor e o correto fosse não ceder. Quantas distorções e más interpretações poderiam ser evitadas, quantos problemas poderiam nunca ter acontecido, se em dado momento tivéssemos mantido o "sim" ou o "não", sem concessões, sem "jeitinho", sem omissão. É verdade que não nos é dado saber as consequências que poderemos enfrentar, mas só o fato de saber que a vida não nos dará o direito de escolhê-las e que em algum tempo teremos que enfrentá-las, deveria ser suficiente para fazermos escolhas melhores com as devidas permissões ou abster-nos de concessões comprometedoras.
Mas isso só descobrimos depois.
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