Interessante esse mundo animal. Seja de qualquer espécie, o macho demarca seu território. É como se impõe perante outro animal que se aproxime. Através da urina ele delimita seu espaço. E nem precisa de muito xixi pra isso... algumas gotinhas bastam. Assim ele diz quem manda.
Já pensou se a gente tivesse que fazer do mesmo jeito?! E esse pensamento me fez rir, apesar de ser muito séria essa questão de impor limites ao outro. É fundamental sabermos dizer "não" pra garantir nossa privacidade, bem estar e felicidade.
Existem pessoas às quais lhes falta bom senso. Elas precisam de um "não" claro e incisivo, caso contrário vão se infiltrando na nossa vida, lançando mão de uma intimidade, que, muitas vezes, nem lhes foi concedida. Pra esses mais atrevidos precisamos deixar claro que não queremos proximidade e é nesse ponto que podemos encontrar alguma dificuldade.
Algumas pessoas podem achar bastante difícil impor limites porque isso pode parecer desagradável aos outros e essas pessoas não querem ser desagradáveis, ainda que sejam importunadas...
Aos que se identificam com esta situação, desejo, sinceramente, que consigam olhar-se como sendo a pessoa mais especial. A verdade é uma: eu posso ser só mais uma pessoa no círculo de relacionamentos de alguém, mas eu sou a única pra mim mesma. É nesse sentido que desejo que você se considere. Ter consciência do próprio valor é o primeiro passo para atribuir a devida importância às demais coisas e pessoas. Quando temos uma autoestima saudável, ou seja, quando pensamos corretamente sobre nós mesmos, sem nos sentirmos inferiores nem superiores em relação aos outros, nos tornamos respeitáveis. O "outro" não viola o nosso espaço, não agride a nossa sensibilidade e nem se sente mais à vontade do que deveria.
É que, para certas pessoas, um sorriso é sinônimo de facilidade, uma palavra amável é igual a interesse e um jeito simpático é sinal de "topa tudo". São capazes de confundir um bom tratamento com liberdade. Estes são os que mais precisam que se lhes imponha limites, porque parecem não ter o menor senso crítico. Causam embaraços e constrangimentos diversos, enquanto os limites não são claramente definidos.
Marcar o próprio território é deixar claro para o outro que até ali ele pode ir, mas que não passe disso. E não é como os animais fazem, embora fosse muito mais fácil... É pela palavra, pela atitude, pela postura, pelo aproximar-se e pelo afastar-se. É pelo sim e pelo não, ditos com firmeza. É pelo olhar que não se desvia, mesmo que não se sinta tão seguro assim. É pelo tom de voz que não oscila, mesmo que por dentro a força seja pequena.
São esses os códigos básicos que sinalizam pro outro que a liberdade dele termina quando começa o meu direito, que quem decide no meu espaço sou eu mesma, que ele pode ter acesso ou não ao meu círculo e, mesmo que tenha, deve respeitar a minha individualidade.
É possível que seja necessário mostrar várias vezes quais são os limites, mas com certeza, se forem claros, serão entendidos.
Até os animais entendem.
Carine Beatriz.

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