4 de dezembro de 2012

Pássaro de Gaiola


Meu filho participou de uma feira de ciências na escola e um dos standes apresentava os animais em extinção na fauna brasileira. Entre eles, as araras azuis. Uma foto linda da espécie e as informações sobre o comportamento dessas aves me chamaram muito a atenção e procurei ler algo mais. O que encontrei me fez pensar e, consequentemente, escrever...
As araras azuis sempre são vistas voando em bando e aos pares. São monogâmicas. Quando uma encontra seu par, fica com ele até o fim da vida. Se têm filhos, estes vivem com seus pais durante os três primeiros anos, quando tornam-se adultos. O casal continua junto e não se separa. Voa junto.. Ambos se conhecem. Se merecem. Se protegem. Se alimentam mutuamente. Se cuidam. Mesmo que seja tudo instintivo, já que não raciocinam, nem têm sentimentos, emboram estejam entre as aves mais inteligentes segundo pesquisa relatadas. A arara azul, quando encontra o seu par, não se afasta dele, não rompe com ele; ambos não se largam. Não buscam outra de sua espécie, até o fim... Definitivamente, as araras azuis parecem saber sobre relacionamento...
Nós, que nos gabamos de nossa capacidade lógica e racional, agimos muitas vezes como se dela fôssemos destituídos: desvalorizamos pessoas e valorizamos coisas; superestimamos uns e subestimamos outros; invertemos prioridades e desconhecemos limites. Às vezes não nos reconhecemos e nem ao outro que está diante de nós; e, não o reconhecendo, também não lhe dedicamos a afeição merecida, o valor devido, nem os elogios cabíveis ou a admiração...
Já encontrou a sua arara azul, o seu par? Já olhou para ele ou para ela e sentiu-se único? Já teve a sensação de queres estar perto todos os dias? São dele ou dela seus pensamentos e sentimentos? São para ele ou para ela os seus desejos?
Ainda bem que entre tantos amores falidos, relacionamentos duvidosos e paixões passageiras existe um "amor para recordar". Um amor que está presente, que não mente, que sente mas não se ressente, que se doa e perdoa, que suporta, que se importa, que espera, acredita e não desiste. Um amor que vale a pena a vida toda. Que sorte tem quem encontra esse alguém! Que sabedoria tem quem não perde esse alguém! Que felicidade tem quem por esse alguém não é rejeitado! Que linda essa história de amor pra ser contada, lembrada, vivida e revivida! Quem tem um amor assim, é "pássaro de cativeiro" - tem alma livre, mas não vai embora porque tem motivos para ficar. Ainda que se lhe abra a gaiola, não saberá voar, porque não saberá aonde ir... nem sabe alçar vôo...
Achei que valia a pena escrever isso... afinal,  encontrar um amor que dure é uma das maiores buscas do ser humano, mas é em permanecer junto que está a realização e o encanto. Acredito nisso, acredito no par, na força do amor, no valor das palavras, nas histórias compartilhadas, no tempo investido. Eu não vou embora... não vou voar para outras bandas. Tenho a imensidão do céu, a Estrela de 5ª grandeza, tenho a Lua cheia e todas as estrelas, tenho todos os fins-de-tarde, tenho um oceano de amor, tudo isso no  cativeiro sem portas dentro do meu coração... Encontrei há muito tempo a minha arara azul.   

Carine Beatriz

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