9 de dezembro de 2012

Aquela Árvore - parte I


         
 
 Me lembro de um pé de jamelão numa estrada pra praia de Santa Clara (rsrs...meu filho, me vendo escrever, perguntou o que é jamelão!). Lembro até do gosto da frutinha roxa e de como tínhamos que ter cuidado pra não manchar a roupa. Não me lembro bem dos detalhes, mas papai chamava a gente pra "catar jamelão" quando a família ia pra praia naqueles verões... E a gente comia muito debaixo daquela árvore frondosa e já muito antiga. Quem não gostava de jamelão se divertia pegando as frutinhas do pé e enchendo os baldinhos de praia ou qualquer outro pote. A lembrança dessa árvore nunca saiu de mim, porque chamava minha atenção de longe. Era linda, parecia desenho de livro, não era muito alta, mas tinha uma copa enorme e um tronco muito grosso. algumas raízes ficavam sobre a terra. Sempre tinha sombra ali. era a única árvore num terreno descampado. Hoje não consigo mais ver a árvore quando passo pela estrada, porque agora preferimos o asfalto...rs, e também porque as muitas casas construídas  encobrem a visão. Nem mesmo sei se ainda existe aquela jameleira... Mas a vejo na minha memória e hoje, de repente, tirei uma foto dela dentro da minha cabeça. Pensando bem, não era a copa verde, linda e arredondada, que sustentava aquela árvore. Também não era aquele tronco grosso que a gente nem conseguia abraçar, nem os galhos fortes, carregadinhos de jamelão, que a gente usava pra se pendurar e balançar. Eram as raízes. As raízes sim é que sustentavam aquela árvore que me parecia tão grande quando eu era criança. Algumas delas eram aparentes e, pra baixo da terra, fico imaginando quantas raaízes existiam e a profundidade que alcançavam... Qualquer pessoa mais crescida sabe que não é a árvore, por mais bonita e forte que pareça, que vai sustentar a raiz na terra. É a raiz que sustenta a árvore. Da menor até a maior, toda árvore tem raiz. Ela conduz nutrientes, água e sais minerais retirados da terra pra alimentar a árvore a fim de que fique viçosa, floresça e dê fruto. Quando sob forte chuva, vento, tempestade, sol escaldante e sequidão, é possível à árvore ficar firme  e continuar dando fruto na estação, sombra pra quem precisa e abrigo aos passarinhos, porque suas raízes profundas garantem a sua existência, seu alimento e seu propósito na terra. Não é diferente com as pessoas.


Carine Beatriz
   

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